Feminina ou feminista? A manifestação da feminilidade bíblica

“Como a água está para o peixe, o feminismo está para o mundo em que vivemos! Ele está em toda parte ao nosso redor.” [1]

Eu sou uma jovem de 28 anos, que cresceu em uma sociedade moldada pelo pensamento feminista. Se, aos 22 anos de idade, alguém tivesse me perguntado o que é feminismo, eu certamente não saberia responder, pois, embora ele já fosse predominante naquela época, eu nunca tinha ouvido esse termo. Hoje, é basicamente impossível uma mulher jovem ou adolescente nunca ter ouvido falar desse movimento. Mas, como mulheres cristãs, precisamos ter maturidade para refletir à luz da Bíblia sobre tudo o que vemos, lemos e ouvimos, tendo o cuidado de não abraçarmos movimentos e ideologias que surgem só porque são populares, ou parecem atrativos.

Se você fizer uma rápida pesquisa sobre o que é o feminismo, encontrará basicamente a seguinte definição: “o feminismo é um movimento que defende a igualdade de direitos entre mulheres e homens”. Esta é uma definição bem geral e, a princípio, não parece contrariar aquilo que cremos enquanto cristãs, pois a Bíblia nos mostra que, em determinados aspectos, homens e mulheres são iguais (Gênesis 1:26-27). Mas, a Bíblia não para por aí, ela diz que, se por um lado, homens e mulheres são iguais, por outro, eles são diferentes porque Deus deu a eles propósitos diferentes (Gênesis 2:18; Gênesis 3:20). Vamos falar melhor sobre isso mais adiante.

À primeira vista, o feminismo parece propor uma igualdade entre homens e mulheres, contudo, a realidade é que sua proposta central é desconstruir qualquer ideia de feminilidade. Segundo prega o feminismo, ao longo da história, o conceito de feminilidade tem sido usado para oprimir e impor às mulheres uma condição de inferioridade. Muitas vezes, o feminismo acusa a Bíblia de promover a opressão contra a mulher por meio de ensinamentos como a submissão, o casamento, entre outros. Para que não sejamos enganadas, precisamos ter bem claro em nossas mentes no que o feminismo se opõe à Bíblia.

O papel da mulher

O feminismo afirma que o casamento, a família e os papéis sociais, desempenhados por homem e mulher, foram impostos pelo machismo. Mas, como cristãs, nós não cremos assim, pelo contrário, cremos que estes papéis foram idealizados por Deus desde a criação do mundo.

“Disse mais o Senhor: Não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” (Gênesis 2:18).

Tudo o que Deus havia feito era bom, mas Deus disse que não era bom que Adão estivesse sozinho no jardim. Ele precisava de alguém, uma companheira que o auxiliasse, por isso Deus designou a mulher para ser sua auxiliadora.

Em nossa cultura, o termo auxiliar remete a algo inferior, com menos valor, contudo, não é assim que Deus vê. Ser auxiliador é algo tão valioso que o próprio Deus em diversas passagens bíblicas se designa como o auxiliador do seu povo [1]. Deus não criou a mulher para exercer um papel menos importante, mas um papel por meio do qual ela pudesse refletir sua glória.

Igualdade x diferenças

Deus criou a mulher para ser uma auxiliadora idônea. Isto significa “alguém correspondente, igual”. Homens e mulheres são iguais porque possuem a mesma essência, compartilham da mesma raça e carregam a imagem e semelhança de Deus. Por outro lado, ao criar Eva, Deus também criou o casamento, a família e designou os papéis que cada um deles deveria cumprir. Nesse sentido, homens e mulheres são diferentes, pois possuem diferentes papéis. Ao homem, Deus deu o papel de liderar, cuidando e protegendo, enquanto à mulher Deus deu o papel de auxiliá-lo nessa missão.

Independência, já!

O feminismo prega que a mulher deve ser independente e considera o casamento um retrocesso, porque, ao se casar, a mulher se torna dependente do homem. Porém, a Bíblia diz que “No Senhor […] nem a mulher é independente do homem, nem o homem, independente da mulher” (1 Coríntios 11:11).

Deus dotou o homem e a mulher com dons diferentes para que, juntos, pudessem cumprir a missão de crescer, multiplicar e cultivar a terra. Deus não nos criou para sermos independentes uns dos outros, mas complementares, para juntos construirmos uma sociedade mais saudável para todos.

Meu corpo, minhas regras

O feminismo tem uma máxima que diz “Meu corpo, minhas regras”. Com isso, defende que a mulher tem total autonomia sobre o seu corpo. Ela pode fazer o que bem entender com ele e não deve nenhuma satisfação a ninguém quanto a isso. Mas, a Bíblia mostra uma visão totalmente diferente sobre isso: “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? […] glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” (1 Coríntios 6:19,20). Para Deus, o nosso corpo não nos pertence, pertence a Ele, e, por isso, é Ele quem estabelece as regras que devemos seguir. Ao declarar “meu corpo, minhas regras” as mulheres negam a autoridade de Deus sobre suas vidas.

Submissão

É muito comum ouvir feministas dizendo que a Bíblia é um livro machista porque fala de submissão. Aliás, a submissão é uma palavra que as feministas não gostam de ouvir, nem de longe! A Bíblia, por outro lado, não vê a submissão como algo ruim, muito pelo contrário! A submissão é uma das expressões mais lindas do amor que temos por Deus, pois Jesus, sendo Deus se submeteu ao Pai em todas as coisas e foi obediente até a morte e morte de cruz (Filipenses 2:8; 1 Coríntios 15:28). Ele é o maior exemplo de submissão que a Bíblia nos dá e devemos nos espelhar em sua atitude de humildade. Exercer a submissão de modo nenhum torna a mulher inferior, muito pelo contrário, ao fazermos isso nos tornamos mais parecidas com Jesus. A submissão não é um castigo, mas um privilégio de Deus para nós!

Machismo e opressão

Nesse ponto, é importante ressaltar que não há como negar que a opressão e o machismo contra a mulher existem – reconhecer isso não faz da mulher uma feminista. O ideal bíblico sempre foi uma liderança amorosa e humilde por parte do homem e uma submissão alegre e gentil por parte da mulher. Porém, esse ideal foi subvertido quando o pecado entrou no mundo. O pecado produziu um desequilíbrio no ambiente e nas relações harmoniosas criadas por Deus. O machismo e a opressão contra as mulheres são resultados desse desequilíbrio.

Como cristãs, devemos nos posicionar contra os abusos, a discriminação, as injustiças; não somente contra a mulher, mas contra todos, pois diante de Deus, homens e mulheres são dignos de cuidado e respeito. Onde houver erros eles devem ser combatidos, e onde houver injustiças elas devem ser denunciadas.

A submissão não significa sujeição cega a tudo e a todos, não significa sujeição a maus tratos, desrespeito ou qualquer tipo de violência. Pois, a mulher, assim como o homem, é Imago Dei, isto é, portadora da imagem de Deus, o que atribui-lhe senso de dignidade e valor, e esse senso precisa ser preservado.

Além disso, é preciso ressaltar que, conquanto o casamento e a maternidade sejam aspectos importantes da feminilidade, é preciso ter em mente que a feminilidade não se restringe a eles. Caso contrário, teríamos que afirmar que somente as mulheres casadas e as que têm filhos exercem a feminilidade. Nesse caso, o que seria das solteiras, das que tem vocação para o celibato, das mulheres estéreis, viúvas e outras mulheres que, por algum impedimento físico, não podem se casar ou ter filhos?

Em seu cerne, a feminilidade bíblica é cultivada através do relacionamento com a Palavra de Deus – na verdade, este é o cerne. Quanto mais nos dedicamos em conhecer a Deus por meio de Sua Palavra, mais nos tornamos quem Ele nos projetou para ser; e à medida em que nos tornamos quem Ele nos projetou para ser, nossa feminilidade vai sendo lapidada.

Portanto, a ausência de casamento e filhos não deve levar uma mulher a crer que ela é menos (biblicamente) feminina. Independentemente do seu estado civil, em primeira instância, o que torna uma mulher mais feminina é sua submissão à Palavra de Deus. E é perfeitamente possível que mulheres solteiras, viúvas e estéreis exerçam a feminilidade bíblica de forma tão eficaz – embora em diferentes aspectos – quanto aquelas que desfrutam da companhia de seus maridos e filhos. Contudo, sim, à luz das Escrituras, casamento e filhos são dons desejáveis que não podem e não devem ser menosprezados, pelo contrário.

Feminina ou feminista?

Não há como abraçar 100% a Bíblia e 100 % o feminismo, pois, eles caminham em direções totalmente opostas. O feminismo é uma ideologia, uma lente por meio da qual homens, mulheres e, até mesmo, toda uma sociedade, passa a enxergar o mundo, o que o torna um caminho muito perigoso. Sabemos que, enquanto cristãs, nossas lentes devem ser as Escrituras e não ideologias e filosofias humanas. O discurso feminista exige uma igualdade total entre homens e mulheres, anula os papéis designados por Deus para homens e mulheres e relativiza o casamento e a família – que é o núcleo que Deus estabeleceu para a construção da sociedade.

Deus nos criou para sermos um tipo de mulher muito diferente daquele que o feminismo diz que devemos ser, por isso, não podemos deixar que essa ideologia dite a nossa conduta. Como disse Elisabeth Elliot:

“O fato de ser mulher, não me torna um tipo diferente de cristão. Mas, o fato de ser cristã, me faz um tipo diferente de mulher.”

Devemos ser um tipo diferente de mulher, e para isso a nossa conduta deve estar pautada nas Escrituras.

“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”, (Romanos 12:2).

Por meio de uma mente renovada, Deus nos capacita para que não sejamos levadas pela “onda” do feminismo!

No Amor de Cristo,


Prisca Lessa, 28 anos, formada em Teologia, atua na área de ensino e aconselhamento e tem se dedicado ao ministério de mulheres. Escreve no blog Teologia para Mulheres. Membro da Igreja Presbiteriana do Brasil.

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