Jovem, você só pode ser um representante do bem se você seguir a Jesus

“E eis que, aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna? E Ele disse-lhe: Por que me chamas bom? Não há bom se não um só, que é Deus.” (Mateus 19:16,17).

É fato que o jovem está no auge do vigor e da energia. Os seus depósitos de hormônios estão cheios, e o sistema endócrino que os fabrica trabalha a todo vapor. Não é sem razão que João escreve sobre eles: “sois fortes”, (1 João 2:14). O jovem, pela facilidade que tem de se apaixonar, por sua intensidade na luta para conquistar o que deseja, e por ser capaz de se dedicar inteiramente à tudo aquilo que o fascina, é visto por João como um agente forte no duelo contra o Maligno. Não por menos, os jovens não se contentam com uma vida pacata, com uma condição secundária. Antes, querem mudar o mundo, querem marcar a existência, querem gravar seus nomes nas páginas da história.

Isso explica a facilidade com que os jovens se associam a movimentos. Quer sejam eles revolucionários ou reacionários, rebeldes ou inovadores, liberais ou conservadores. O mundo, na mente do jovem [e não apenas nela], precisa e pode ser melhorado. Existe, numa visão jovem de mundo, coisas que estão erradas e que precisam ser combatidas, erradicadas. Segue-se que a mudança de mundo almejada pelo espírito jovem, não é mera mudança de condição ou de situação, mas uma mudança para melhor – o novo precisa cooperar para o bem. O jovem, assim, deseja ser parte do bem que transforma a situação para melhor – quer ser lembrado com glórias e honras, com louvor.

Certa vez, conforme Mateus nos relata, um jovem aproximou-se de Jesus. Jesus era alguém que fazia o bem. Ele estava transformando a sociedade ao seu redor, e isso acabaria por transformar o mundo. Por um lado, Jesus jamais foi um mero revolucionário, como afirmam os esquerdistas. Por outro, no entanto, é inegável que uma revolução teve início em Jesus – uma revolução espiritual e social. Aquele jovem quis fazer parte disso. Ele tinha dinheiro, e tinha religião, mas sentia que isso não era o suficiente. O que lhe faltava mais? Ora, fazer algo relevante, participar de algo digno de lembrança, algo digno de receber a devoção de sua existência. Ele queria a eternidade. Queria entrar nela de acordo com seus esforços, com base nas boas obras que havia realizado, nos seus méritos. Ele era um jovem normal, um jovem comum, um jovem como qualquer outro – um jovem como você.

– Bom Mestre, o que devo fazer para conseguir a vida eterna? Em que luta devo empregar minhas forças, minha energia, meus hormônios, minha paixão, minha intensidade, minha dedicação? Vamos ser parceiros, Jesus. Se tu sabes a resposta, me diga e eu o farei.

O que aquele jovem ainda não sabia é que, antes de transformar o mundo, deveria ele mesmo ser transformado. Antes de marcar o mundo, deveria ele mesmo ser marcado. Antes de gravar seu nome na história, ele deveria ter um nome gravado em si mesmo. Jesus começa a ensinar-lhe estas coisas dizendo que “não há bom se não um só, que é Deus”.

“Creio que ele estava tentando fazer com que aquela pessoa parasse e pensasse no que estava dizendo. […] Espere um pouco, por que vocês estão me chamando ‘bom’? Só por educação, como se estivessem dizendo: ‘Bom dia’? O que vocês querem dizer com bom? Quando vocês me chamam ‘bom mestre’, não é por que querem me bajular? Bem, no sentido mais profundo da palavra, só existe um que é bom, que é Deus […] Ele está dizendo: Vocês entendem realmente o que dizem quando me chamam de bom? Vocês estão querendo me dar uma qualidade que só deve ser dada a Deus? Em outras palavras, ele poderia dizer: Eu sou realmente quem vocês dizem que eu sou; há mais verdade nas suas palavras do que vocês imaginam…” [1]

Muito provavelmente sem perceber, aquele jovem estava chamando Jesus de Deus. Ele queria o bem, mas não percebeu que estava diante do bem supremo: o próprio Jesus. Ele vem a Jesus, na expectativa de alcançar a eternidade ou até mesmo de se eternizar participando de um movimento relevante. E Jesus apresenta a ele o verdadeiro bem: Ele próprio [Jesus] – “E vem, e me segue”.

– Jovem, você não pode ser representante do bem a não ser que você siga o meu exemplo, a não ser que você ME siga: Vá, venda tudo o que você tem e dê aos pobres… e venha, e me siga.

Isso não é o que Jesus fez no evento físico e cósmico da encarnação? Jesus não “vendeu” tudo o que tinha para dar aos pobres, pecadores e condenados, que somos nós? Paulo, escrevendo aos Filipenses, diz que Jesus, “sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se de si mesmo”, (Filipenses 2:6,7). Mas, o ensino não para por aí – há muito mais coisas a serem consideradas:

– Você vem e me chama de bom, porque você pensa que você é bom, e por isso, pensa que é digno de participar de um movimento que promove o bem – acredita que, com isso, pode dar sentido à sua existência, somente Deus é bom.

Romanos 3 nos informa que “não há ninguém que faça o bem”, (Romanos 3:12). Aquele jovem não podia ser alguém que faz o bem, porque ele estava apartado de Jesus. Nem eu e você podemos, a menos que estejamos unidos ao Senhor. Jesus é representante do bem, porque Ele é Deus, e porque, como homem, Ele realiza toda a vontade do Pai. Seu propósito, seu sentido, sua direção, o que movia Jesus, enquanto cidadão deste mundo, sempre foi a vontade do Pai. De que maneira, então, o jovem de Mateus 19 poderia se tornar um representante do bem? Somente imitando a Jesus, seguindo a Jesus, sendo unido a Jesus. Você só pode ser um representante do bem se você seguir a Jesus. E você só pode seguir a Jesus se arrepender-se dos seus pecados e crer n’Ele. É quando você nega a si mesmo e toma a sua cruz que pode seguir a Jesus.

A facilidade que os jovens têm de se venderem para políticos e discursos ideológicos é seu desejo de representar o bem. É sua vontade de ser como Jesus e de fazer as coisas que Jesus faz, sem antes serem transformados, sem que a vontade do Pai seja seu prazer e sentido da vida, como era para Jesus, e sem que a vontade de Jesus seja transformada em sua vontade.

Por que jovens vestem a camisa de partidos políticos, na maioria das vezes, cegamente? Por que defendem intensa e insanamente seus políticos preferidos, militando lobotomizados? O registro de Mateus é que, diante da incapacidade de realizar a vontade de Deus, por meio do cumprimento daquilo que Jesus ensinou, o jovem “retirou-se triste”, (Mateus 19:22). O problema está na tristeza gerada por se amar mais ao pecado do que a Deus. O amor ao mundo é um concorrente do amor a Deus. Diante disso, os jovens de todas as épocas procuram algo que possa lhes proporcionar a sensação de pertencimento, buscam um messianismo sem o Messias. Endeusam a causa, e se autoproclamam apóstolos do bem. Não apóstolos de Jesus. Não seguidores do Bom Mestre. Mas, jovens tristes tentando se realizar fazendo um bem vazio de sentido.

As ideologias políticas, por sua vez, são tão facilmente abraçadas pelos menos desavisados, por que, em seus discursos, seus adeptos se colocam como representantes absolutos das pautas morais que fazem a crítica social – o que proporciona com que a autoimagem destes frenéticos jovens seja de alguém que vai realizar a justiça social no mundo ou, em outras palavras, fazer o bem supremo. Serão eternizados por suas obras, por suas causas. O problema é que, para além do discurso, é fato que as mais famosas ideologias políticas jamais lutaram essencialmente pelo bem das massas, mas cooperaram para o assassinato, ruína e miséria de bilhões de pessoas. O problema é que as ideologias políticas não são Jesus e não são a Sua Igreja. A prática da política na história é uma prática de egoísmo, de jogos de poder, de massacres, em nome daquilo que seus membros julgavam ser o bem, isso é história. Os movimentos políticos, hoje, desejam salvar o mundo, mas não são capazes sequer de salvarem a si mesmos e a seus adeptos.

Jovem, siga a Jesus. Jesus é suficiente para o bem de todo o mundo. Faça política, olhe a política, entenda a política, seguindo e adorando a Jesus. Não tente fazer a obra de Jesus, olhar para Jesus, entender a Jesus seguindo e adorando à política.

O sábio Salomão escreveu em Provérbios:

“Filho meu, se os pecadores procuram te atrair com agrados, não aceites. […] não te ponhas a caminho com eles, desvia o teu pé das suas veredas; porque os seus pés correm para o mal, e se apressam a derramar sangue”, (Provérbios 1:10,14-16).

Os jovens, enganando-se a si mesmos, procuram movimentos e grupos identitários que, no discurso, dizem ter em suas mãos o projeto de transformação social do mundo, e que representam os fracos e oprimidos. Ao aderirem à política, às ideologias políticas, ao político, eles sentem, então, que finalmente são pessoas do bem. É como se eles se olhassem no espelho e vissem no reflexo o próprio Jesus. Já que não podem e não querem a Jesus, então tentam substituí-lo por si mesmos e suas preferências, e seu próprio senso de justiça. Substituem o Evangelho que transforma, pela causa que promete transformar. Veja que a razão por que jovens lutam por política é por que isso produz, neles, uma autopercepção orgulhosa de que eles são e estão do lado do bem. É estranho constatar, no entanto, que na Bíblia, todo aquele que orgulhosamente se acha do bem, é do mal.

Ser do bem, discursar em favor do bem, assenhorear-se de um discurso político e declará-lo aos quatro cantos, também faz com que o jovem passe a ser parte de uma networking, e nesta networking, ele terá amigos, fará parte de um grupo, terá poio, terá uma causa em favor da qual passará a lutar, terá um objetivo escatológico, uma utopia social que é buscada pelo movimento, a qual todos do grupo sonham em alcançar – há aqui uma substituição da Igreja. É fazendo parte desta rede de pessoas, desta malha de contatos e amigos, desta networking, que o jovem, por fim, recebe e encontra poder. Ele acredita estar lutando para alcançar e adentrar à vida eterna ao ser eternizado na história, mas, ao fazer isso tão somente por seus próprios mandamentos e sem precisar vender tudo o que tem [e entregar-se por completo] em benefício do e em amor ao próximo, engana-se a si mesmo. A ideia é que um mundo perfeito é possível e eles julgam que podem construir esse mundo perfeito. Essa adesão ao movimento é a evidência de um caráter corrupto que, mesmo em alguém que está dentro da igreja, mostra a rejeição à Jesus e ao Seu Evangelho.

Jovem, você pode usar a política para fazer aquilo que Jesus diz que você deve fazer através da política. Mas, você não pode, não deve e nem conseguirá usar a política para fazer aquilo que Jesus diz que você deve fazer através d’Ele mesmo e de Seu Evangelho. A política é um instrumento, um meio – a política não é Jesus, e o mundo será redimido somente por Jesus. Mesmo que a política tivesse o poder de fazer aquilo que apenas Jesus pode fazer, ainda resta a Palavra, que nos diz:

“Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?” (Mateus 16:26).

Em outra passagem, lemos que “ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro” (Mateus 6:24). Neste caso, entre a política e Jesus, Jesus é incomparavelmente melhor.


NOTAS

[1] D. A. Carson em: Strobel, Lee. Em defesa de Cristo (pp. 177-178). Traduzido por Maurício Bezerra Santos Silva. — 1. ed. — Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2019. Edição do Kindle.


Marcos Motta, 28 anos, é editor-chefe de Revista Fé Cristã. Membro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Lajeado – RS, é estudante autodidata de teologia, e autor do livro Não Estamos Derrotados: A Verdadeira Vitória (2017). Na igreja local, coopera como pregador, e também como músico, cantor e compositor. Casado com Talita Motta.

2 comentários sobre “Jovem, você só pode ser um representante do bem se você seguir a Jesus

  1. Excelente texto DEUS continue o abençoando e capacitando , com a sua permissão gostaria de estar repassando para o grupo de jovens daqui da nossa cidade e região obrigado.

    Curtido por 1 pessoa

Deixar mensagem para Revista Fé Cristã Cancelar resposta