Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar? E achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida. (Lucas 15:8-9)
Das três parábolas relatadas no núcleo do Evangelho de Lucas, no capítulo 15, a que me chama atenção de maneira especial é a Parábola da Dracma Perdida. Não apenas me chama atenção, mas também me preocupa muito. Por quê?
As outras duas parábolas – a do filho pródigo e a da ovelha, nos mostram que ambos os seus personagens se perderam longe dos seus lares. Por outro lado, a dracma estava perdida dentro de casa. Isso me apavora.
Me apavora pensar na possibilidade de que há muitos perdidos dentro de casa. Que talvez, eu e você estejamos como a dracma perdida… Em casa — é aqui que reside o meu medo. Estar perdido na igreja, participando dos cultos normalmente como se tudo estivesse bem!
O filho pródigo sabia que estava perdido – pois foi ele mesmo quem decidiu sair mundo afora a fim de viver os prazeres do mundo. A ovelha sabia que estava perdida por não estar mais perto do seu pastor e do rebanho. Já a dracma… ela não se propôs a viver uma aventura pecaminosa. Ela não estava longe de tudo aquilo que era comum em sua vida. Nada disso! Ela estava lá, na “segurança do lar”, porém, perdida! Essa realidade pode ser a nossa. Perdidos em casa!
Será que não estamos frequentando o culto normalmente, a escola bíblica, sem perceber que, ainda assim, estamos perdidos? Como saber?
Bem, geralmente, quando somos alcançados pela Graça de Deus, jorra de dentro de nós um amor pelo Senhor tão grande que tudo o que queremos é nos gastar pelo Reino!
Ouvimos e lemos sobre os feitos de Billy Graham, Paul Washer, Jonathan Edwards, David Brainerd, e então passamos a sonhar em realizar feitos semelhantes aos deles — a verdade é que, na juventude, tínhamos a convicção de que alcançaríamos estes sonhos!
Reuniões de orações, estudos bíblicos e evangelismo, era o resumo dos finais de semana de um recém alcançado pela graça inflamado pelo amor do Senhor!
Com o tempo, sem que tenhamos notado, esse fogo foi diminuindo e foi perdendo o lugar na lista de prioridades para as distrações. De repente, não mais se viu acontecer aquelas orações inflamadas. Os sonhos das grandes cruzadas evangelísticas, aos poucos, foram perdendo a preeminência lugar para os negócios deste mundo. O desejo pelo pastorado desapareceu em meio às desculpas de que glorificaríamos a Deus em outras profissões — é óbvio que todas as profissões honestas glorificam a Deus. Como já disse Abraham Kuyper, “não há um centímetro quadrado neste mundo ao qual Cristo não clame: é meu”. A realidade é que muitos estão escondendo seu desânimo, sua falta de amor pelo Senhor e por Seu reino, através da desculpa de que estão servindo ao Senhor no seu trabalho. Apoiados nisso, estes abandonaram completamente os objetivos ministeriais.
O amor já se foi e é maquiado por um falso zelo pela verdade nas redes sociais. As muitas leituras escondem o coração tão distante e frio, totalmente indiferente. O pecado que machucava quando era evidenciado, agora não dói mais, afinal, “sou salvo pela Graça” — é o que dizem os lábios nos quais não há mais cântico a Deus!
Sem santidade, sem oração, sem amor, sem fogo, sem desejo; totalmente indiferente, todavia, indo em frente, congregando normalmente. Se é esta a nossa realidade, então, com tristeza, eu digo: somos dracmas perdidas dentro de casa! E, como já disse anteriormente, isso é assustador!
Por outro lado, esta mesma parábola que mais me assusta, é a que mais me consola. Me consola, porque a intenção da parábola é mostrar como Cristo salva um pecador. A ênfase não é sobre o pecador, mas sobre o Salvador.
A dracma estava lá, parada, perdida, mas a mulher com seus esforços a encontrou. Meu coração exulta no Senhor por saber que, mesmo que eu venha a me perder, Ele me encontrará. Aqueles que são do Senhor, não permanecerão perdidos, antes, Ele os encontrará, não obstante as suas condições!
A dracma não ajudou em nada ao Senhor. Tal qual ela, somos infinitamente pobres na condição de ajudar ao Senhor. Ainda assim, Ele conclui a Sua obra. Se estamos perdidos, sem fé, sem amor e de repente, um avivamento vem sobre nós, é Cristo que nos achou e não nós os que O encontramos. É possível que você tenha estado na condição da dracma perdida, sem perceber, mas, lendo esse texto, sentiu arrependimento e o coração a ser aquecido. Se isso realmente aconteceu com você, então, por meio deste Devocional, o Salvador o encontrou!
Somos perfeitos em nos perder, mas Ele é poderoso para nos encontrar!
Que Deus em Cristo te abençoe!
*Este devocional foi publicado originalmente na Revista Fé Cristã Nº6, de fevereiro de 2021.

Henrique Vidal, 28 anos, membro da Assembleia de Deus em Salvador – BA, é professor e coordenador da Escola Bíblica Dominical.