E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. (Apocalipse 21:4)
O ano de 2020 tem sido um ano muito difícil; de muitas dores, frustrações e de muitas lágrimas. Perdermos J. I. Packer, Nilma, esposa do Paulo Cezar, fundador do grupo Logos; Fabiana Anastácio não conseguiu vencer o Covid-19. Na terça-feira, 4 de agosto, uma explosão matou mais ou menos 220 pessoas, em Beirute, no Líbano. Onde congrego, perdemos a nossa irmã Lícia, também vítima do Covid-19. Em grupos de estudos, primeiro era pedido de oração e, em seguida, a notícia de mais um que partiu.
Todos os anos, coisas ruins acontecem; mas, especialmente em 2020, parece que tudo isso ocorreu em um grau maior! Obviamente que, na história da humanidade, houve épocas bem que piores do que a nossa. Mas, quero me ater ao hoje, naquilo que nós estamos vivendo!
Não é verdade que, na Bíblia, encontramos incontáveis promessas em relação à resposta de Deus às nossas orações? Diante de tudo isso, no entanto, é compreensível que alguns irmãos duvidem acerca de Deus, se realmente Ele ouve as nossas orações.
Quando nos deparamos com pessoas que amamos no leito de morte, entre o aqui e o além, nos apegamos a promessas como a de Mateus 21:22, que diz:
E, tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis.
Ora, se Jesus disse isso, logo, Ele há de cumprir. Então, as pessoas, cheias de confiança em promessas como essa, logo, descartam a possibilidade de seu amado(a) partir. E quando descartam essa possibilidade, acabam como que, esquecendo do plano eterno de Deus, o qual não conhecemos. É daqui que nascem as decepções.
Se sua vontade se choca com a vontade de Deus, Isaías nos diz quem vencerá:
O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade. (Isaías 46:10)
Sim, a vontade do Eterno prevalecerá. Se a vontade do Senhor for colher seu amado ou sua amada, Ele fará!
Bem, eu compreendo que, agora mesmo, você pode estar ainda mais chateado com Deus. Independentemente de como a pessoa estaria vivendo entre nós, seu desejo era tê-lo por perto. Nunca estamos prontos para despedidas.
Isso se dá por muitos motivos. Um deles, é que não queremos pensar sobre a brevidade da vida. Não queremos aceitar que vamos partir, tampouco que um dia vamos nos despedir de quem mais amamos.
A verdade é que, quando estamos a sós, e pensamentos sobre a morte nos vêm à cabeça, a nossa reação é tentar fugir desses pensamentos, visto que não estamos prontos — e nem queremos estar, para essa realidade.
Cantamos, ligamos o som nas alturas, procuramos com quem conversar, tudo isso para fugir desses pensamentos. Por qual razão você pensa que as pessoas passam mais tempo conectados, navegando nas redes sociais? Porquê ninguém consegue e deseja ficar só, em silêncio? Muitos de nós, gostamos de acreditar que não iremos partir.
Alguns desejam o arrebatamento não porque querem ver a face de Deus, mas é justamente para não ter que passar pela morte; quando os olhos se fecham nesse mundo.
Bem, o que sei é que até aqui tudo parece muito triste. Principalmente se você é um daqueles que saem selecionando em quais promessas bíblicas vai depositar sua esperança. Mas, se você é daqueles que amam todo o conselho de Deus, então, vai entender que, para os cristãos, quando os olhos se fecham nesse mundo, isso não é motivo tristeza, mas de alegria!
Qual era a razão para Paulo dizer à igreja de Filipos que: “porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro”? A razão é que para Paulo, toda a Escritura é inspirada por Deus e, portanto, todas as promessas hão de se cumprir. Se realmente cremos que toda a Escritura é a Palavra de Deus, então, pensar sobre a brevidade da vida deve nos trazer gozo, e não tristeza.
Mais uma vez, Paulo nos é exemplo disso. Em Filipenses 1:23, Paulo diz que tem “desejo de partir, e estar com Cristo”, pois, para ele, “isto é ainda melhor” do que ficar neste mundo caído.
Eu fico a imaginar o quanto Paulo desejava fechar os olhos nesse mundo, caído, cheio de pecado e, então, abri-los na glória! Talvez, você esteja pensando: ah! Paulo viu o Cristo! É fácil crer assim. Então, me permita lhe trazer o testemunho de um fiel soldado de Cristo que viveu no século XVIII, como exemplo. Seu nome era David Brainerd.
Quando estava próximo da morte, em seu leito, alguém entrou no quarto com a Bíblia, de maneira que ele exclamou: “oh! querido livro! Breve hei de vê-lo aberto; os seus mistérios então me serão desvendados!” À medida em que ficava mais fraco fisicamente, mas anelava pela presença de Deus. Dizia ele: “Fui feito para Eternidade. Como anelo a presença de Deus!”
Brainerd teve uma vida difícil. Não teve saúde. O Senhor não lhe permitiu ter o seu diploma que tanto desejava. Brainerd também não casou. Morreu com apenas 29 anos. Suas últimas palavras, todavia, não foram de lamento por não ter tido saúde, nem por não ter desfrutado dos carinhos de uma esposa. Suas últimas palavras foram: “Oh! vem Senhor Jesus! Vem depressa!”
De onde vem tal desejo que estava em Paulo e em Brainerd? Melhor: de onde vinha essa coragem para enfrentar o derradeiro momento da morte? Sem dúvidas, do amor ao Senhor e da confiança em Sua Palavra!
David Brainerd sabia que, embora seus olhos se fecharam aqui, com seu corpo abatido por causa da tuberculose, ao abrir os olhos na glória, e por ocasião da ressurreição, veria seu corpo perfeito. Glorificado! Brainerd sabia que é depois da morte que realmente passamos a viver! Sim, meus irmãos. Enquanto aqui no mundo, estamos morrendo. Aqui, neste presente século, só temos dores, aflições, enfermidade.
Todos os dias, pessoas estão sofrendo com câncer. Pastores são achados em depressão devido a tantos problemas. Missionários, abatidos, por terem sido abandonados. Jovens chorando, sem alegria, por perderem batalhas contra o pecado; aqui neste mundo, há muita dor, lágrimas e tristeza.
Lá na glória é diferente. Lá, as lágrimas serão enxugadas. O pecado não mais nos tirará a paz. O diabo não poderá nos acusar. Ah!, meus irmãos. O cego verá o Sol da Justiça. O que era manco, correrá para o Senhor; quem era cadeirante, dançará livremente! Os que estão paraplégicos aqui, andará de mãos dadas com você. E comigo. Cristo, o Rei dos Reis, nos receberá. Com o nosso Senhor, vamos cear!
Meu coração exulta enquanto escrevo.
Na glória, encontraremos os nossos amados irmãos que partiram com Cristo. Lá viveremos verdadeiramente. Tudo isso vai acontecer quando os olhos se fecharem no mundo, e se abrirem na glória!
Lembre-se que quem, em Cristo, morreu aqui, nunca mais irá morrer. E suas obras lhes acompanham. Eu não quero aqui dizer para você que tristeza e luto são reflexo da falta de fé. Longe disso. Só estou dizendo que, se crermos verdadeiramente na Palavra de Deus, quando pensarmos sobre a brevidade da vida, estes serão momentos por demais doces para nós!
*Este devocional foi publicado originalmente na Revista Fé Cristã Nº4, de setembro de 2020.

Henrique Vidal, 28 anos, membro da Assembleia de Deus em Salvador – BA, é professor e coordenador da Escola Bíblica Dominical.