A figueira sem frutos

No dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome. E, vendo de longe uma figueira com folhas, foi ver se nela, porventura, acharia alguma coisa. Aproximando-se dela, nada achou, senão folhas; porque não era tempo de figos. Então, lhe disse Jesus: Nunca jamais coma alguém fruto de ti! E seus discípulos ouviram isto. (Marcos 11:12-14)

Como homem, nosso Senhor teve necessidades básicas. Como nós, Ele precisava comer, beber e dormir — repor as energias. Faminto, certa vez, foi procurar em uma figueira algum fruto a fim de saciar-se.

Ninguém contava histórias como Jesus. Suas palavras traziam imagens às mentes dos ouvintes. Nesta ocasião, ele lhes trouxe uma espécie de parábola encenada. Eles a viram com os próprios olhos, não imaginaram. Ali o Senhor demonstrou sua ira contra os hipócritas que têm aparência de piedade, mas escondem um coração perverso.

De longe, Ele podia perceber qual tipo de árvore estava diante de Si. Todavia, se aproximou a fim de saber se ela era digna de ser assim chamada.

Pior do que enganar a homens é ter a audácia de cogitar enganar um Deus que tudo vê.

Ele nos vê de perto

Ele vê as coisas no nível mais profundo.

O SENHOR olha dos céus; vê todos os filhos dos homens. (Salmos 33:13)

Com nossos olhos limitados, vemos os homens apenas como “árvores”, mas o Grande Juiz esquadrinha corações e busca frutos. Muita vezes, acreditamos estar diante de um crente verdadeiro apenas por termos visto “folhinhas” de cristianismo, mas de perto não se pode achar nenhum fruto — são secos e inúteis — não há nada que se possa aproveitar. Aproveitam-se do solo do Evangelho para crescer, tornando-se belos e chamativos. Recebem a honra e o louvor dos homens, usurpando a glória que não pertence a eles.

Muitas árvores podem produzir folhas, mas somente uma figueira pode produzir figos. Era isso que Jesus buscava: frutos dignos. Mas eles não existiam. Muitos podem produzir moralidade, mas somente nos que nasceram de novo se pode encontrar o fruto do Espírito.

Indesculpáveis

Um trecho da canção Asleep in the night, de Keith Green, diz:

Como pode estar tão morto
Sendo tão bem alimentado?

A Palavra de Deus é um alimento que produz vida naqueles que dela provam. Há uma promessa no Salmo 1, que nos diz que aquele que medita nela “…será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão”. Sendo assim, alguém que busca a Palavra de Deus se torna notório, já que produz tanto fruto, como folhas. Um cristão genuíno é algo belo de se ver.

Nos hipócritas, a Palavra não surte efeito, não produz nenhum fruto. Neles, a Palavra só gera recursos suficientes para enganar os homens, assim como aquela figueira. Há neles apenas grandes “folhas de moralidade”, as quais também os fazem notórios, e nada mais.

Tiveram tempo para produzir folhas, mas não frutos?

Se fôsseis cegos, não teríeis pecado algum; mas, porque agora dizeis: Nós vemos, subsiste o vosso pecado. (João 9:41)

A palavra os tornou apenas “grandes árvores”, mas não os limpou. Estão sujos por dentro, se preocupando apenas com o exterior. Não temem aquele que vê o interior e sabe que são hipócritas!

As verdades contidas na Bíblia não os torna semelhante a Jesus.

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniquidade. (Mateus 23:27-28)

O solo do Evangelho lhes traz apenas benefícios, os sustenta, mas neles não há transformação, apenas leves mudanças externas. O Reino não recebe nenhum beneficio que tenha vindo deles.

A perversidade desses homens é gigante. Como Judas, veem na adoração fervorosa de pessoas como Maria o quão lucrativo o Evangelho pode ser. Percebem que este Jesus atrai pessoas com grandes ofertas.

Por que não se vendeu este perfume por trezentos denários e não se deu aos pobres? Isto disse ele, não porque tivesse cuidado dos pobres; mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava. (João 12:5-6)

Ao olhar para a realidade do nosso país, os maiores nomes que representam o Evangelho, me envergonho muito, e temo. Somos, os evangélicos, cerca de 30% da população. Esse número não é causado por orações fervorosas como as de Paulo.

… sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós. (Gálatas 4:19)

Antes, é resultado de meios carnais usados para atrair homens carnais — que vêm a Cristo, mas não negam a si mesmos, não abandonam o pecado.

Todo aquele que permanece nele não vive pecando; todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu. (1João 3:6)

Se, dos nossos grandes movimentos, não saem homens nascidos de novo, não estamos gerando nada, apenas inchando. Este é o motivo de termos um número tão alto de adeptos e tão poucos efeitos sobre a nação.

… ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. (Mateus 5:13)

Temo e tremo ao pensar Naquele que passeia pelos candeeiros. Que, com olhos de fogo, contempla tudo e todos. Ele vê o que estão fazendo de mal em Seu nome. O quanto Sua noiva tem sido afligida. Temo quando a mão do Senhor nos apalpar procurando algo que lhe agrade. Acaso encontrará Ele o Evangelho nas igrejas que se dizem evangélicas? Ou apenas folhas?

Quanto aos discípulos verdadeiros, ficarão espantados ao ver como esses homens e falsos movimentos que levam o nome do nosso Deus em vão secarão, pois o Senhor os amaldiçoou.

Então, Pedro, lembrando-se, falou: Mestre, eis que a figueira que amaldiçoaste secou. (Marcos 11:21)

Não haverá mais tempo para tentar produzir nada. O Senhor virá a eles num dia em que o não esperam, e à hora em que eles não sabem. O que lhes resta é aguardar a ira vindoura. O machado já está posto à raiz.

Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno? (Mateus 23:33)


Natan Soares tem 23 anos, mora em São Paulo – SP e congrega na Igreja Metodista Wesleyana, onde é músico. “Gosto de estudar teologia, mas ainda não sou seminarista”.

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