A paz, meus queridos! Tudo bem? Como prometido, hoje vamos tratar da segunda parte, da nossa sequência, de “Assim foi criado o mundo” (SIC MUNDUS CREATUS EST, como já havia dito antes). Para isso, vamos continuar usando como base principal o livro “A Origem”, da Editora Thomas Nelson. Não leu o artigo anterior?! Ora, mas isso é uma pena. A revista ainda se encontra disponível – sugiro que leiam, pois além de ser um artigo introdutório, ele tem a explicação breve sobre a terra jovem – crida pela maioria dos nossos irmãos em Cristo, praticamente. Há vários conceitos no artigo anterior que poderão ser citados. Por isso, a leitura do primeiro, assim como a leitura deste será importante para o terceiro e, todos os três para o quarto. Resumindo, não percam a sequência!
Sem muito mais a introduzir, vamos para o tema desse mês: Criacionismo da Terra Antiga.
Basicamente, esta é a teoria que defende a ideia de que a terra é, dentro de seus termos, tão antiga quanto aparenta. Já adianto que tal teoria não apenas possui uma carga teológica, mas, também, conceitos químicos, bacteriológicos, geológicos, entre outros. Então tenhamos paciência e atenção. Além disso, mais uma vez, ressalto a importância da leitura do livro utilizado, bem como, no mínimo, dar atenção às aulas do colegial, caso você ainda o esteja cursando, afinal, o ensino fundamental e médio transmitem ao aluno a base da ciência. Como professor, não poderia deixar de tocar nesse ponto: estudem ciência, não só por ser importante, não só por notas, mas, mais do que tudo isso, para não ser levado pelos argumentos neo-ateus, pseudocientíficos, e acima de tudo, para não envergonhar o Evangelho, o reduzindo a um complexo de dogmas separados da razão, cridos por tolos, por homens e mulheres de mente limitada.
Não poderemos usar o mesmo modelo, de ponto a ponto, que usamos para abordar o criacionismo da terra jovem, pois cada ponto da terra antiga possui considerações internas que devem ser ponderadas de forma diferente. Precisamos entender que a terra antiga possui múltiplas interpretações de Gênesis, embora iremos nos ater a uma só, de maneira que se faz necessário que tenhamos muita atenção. Veja as múltiplas interpretações de Gênesis aceitas pela teoria da terra antiga:
➔ Dias da criação como dias de revelação;
➔ Dias da criação como 24 horas separadas por longas eras;
➔ Dias de criação como estrutura literária;
➔ Dias de criação de 24 horas após um intervalo de tempo entre Gênesis 1:1 e 1:3 (ou seja, 24 horas só após a criação da luz);
➔ Dias de criação analógicos (comparativos, análogos) ou temporalmente relativos (sem contagem literal ou importância do mesmo por Moisés);
➔ Dias de criação considerados como eras, ou longos períodos de tempo;
➔ Qualquer combinação acima (sim, essas opções podem ser mescladas para explicar sobre a mesma questão).
Como podem ver, há nessa teoria, na mesma teoria, sete formas de interpretação sobre o processo de Criação, e isso é natural, tão natural quanto às várias interpretações de Apocalipse. Afinal, assim como a mensagem do Apocalipse é “perseverar até o fim, pois o Rei voltará e nos salvará”, e qualquer interpretação de como e quando, não é de grande ajuda, a mensagem de Gênesis é “o Criador fez todas as coisas” – como e em quanto tempo é secundário e pode ser interpretativo, desde que não tire Cristo do centro e não tire o valor real do texto. Tendo isso em mente, vamos utilizar apenas a base para Dia-Era (dias sendo como eras). Por meio dela, consegue-se explicar as demais, isso, quando o próprio nome dado à interpretação não é explicativo.
Dias como grandes eras, deriva da própria variação literária de “Yom”, palavra hebraica para dia, que pode significar:
➔ PARTE das horas do dia,
➔ TODAS as horas do dia,
➔ ciclo de NOITE a NOITE,
➔ ou MANHÃ e MANHÃ (rotação da terra),
➔ ou, ainda, um LONGO, mas FINITO, período de tempo.
A teoria da terra antiga utiliza três interpretações literárias diferentes de Yom, sendo elas:
Dia 1: Noite e dia, segunda definição;
Dia 4: Contrasta estações, dias e anos, terceira definição;
Gênesis 2-4: Todo o período da criação, quarta definição;
Basicamente, seis períodos de tempos sequenciais, e não sobrepostos.
A Visão Dia-Era, não nega a doutrina do Sola Scriptura, mas se utiliza também da revelação natural, para explicar questões naturais. Reconhece, portanto, que os escritores bem como o Espírito Santo, se utilizam de figurações, ilustrações, metáforas e parábolas para transmitir conceitos. Afinal de contas, Salmos 91:4 nos fala das asas do Senhor, mas sabemos que ele é Espírito e não possui corpo, muito menos plumas. Sabemos que o abismo, descrito na parábola de Lucas 16:19-31, retrata um abismo espiritual, não físico. Símbolos para compreender verdades concretas são usados por Deus, assim como ensinamos fábulas para que nossos filhos aprendam a verdade da vida (para mais detalhes desse tema sobre língua figurada, leiam Árvore e Folha, de J.R.R. Tolkien, não é nosso objetivo aqui tratar desse assunto).
Ainda em defesa da teoria da terra antiga, vale pontuar que seus defensores acreditam na intervenção sobrenatural divina, no entanto, classificando-a de maneira sistemática, para compreendê-la, separando a intervenção sobrenatural divina em três tipos de milagres:
Milagres Transcendentes: São aqueles eventos que vão contra as leis da física e dimensões espaços temporais do universo. Dentro desses milagres, está a criação do Espírito, do céu, do inferno e o próprio estabelecimento do universo. Basicamente, aqui estão categorizados os milagres da criação inexplicáveis e que estão fora do poder humano, que foram jogados na aleatoriedade pela física quântica e certa parte da ciência pós-moderna;
Milagres Transformacionais: São aqueles eventos que mostram Deus intervindo em algo já criado, o que seria impossível e demoraria bilhões de anos para estruturação e ainda cairia em probabilidade microscópica de ocorrer o planejado, Deus intervém com Sua mão poderosa (mais uma vez, uma metáfora como dito acima, pois Deus é Espírito) para criar oceanos e continentes, a fim de proporcionar as condições para a existência da vida (lá vai mais sugestões de leitura: Teoria da deriva continental, elaborada por Alfred Wegener, em 1913, O Ajuste Fino do Universo, livro pela editora Ultimato, escrito pelo gigante da apologética, e um dos meus escritores favoritos, Alister McGrath, e o próprio livro A Origem das Espécies, de Charles Darwin, que é uma excelente leitura para o tema).
Milagres Sustentadores: São a própria sustentação das leis, em um mundo que tende ao caos e à desordem, e estou falando de cálculos físicos e regras estabelecidas, não falsa teoria de conspiração (sugiro estudarem também fundamentos da termodinâmica, por Van Wylen). A própria existência do universo é um grande milagre, fora, claro, a intervenção e salvação por meio de Cristo, como está escrito em Colossenses 1:17: “E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.”
O “grau de ocorrência” desses milagres está disposto acima em ordem decrescente, ou seja, milagres transcendentes estão raríssimos, mais ocorrentes na Criação. Já os transformacionais ocorrem em momentos específicos conforme a necessidade estabelecida por Deus. Já os sustentadores, estão ativos a todo o momento, praticamente.
Estamos caminhando para o final do artigo, mas ainda estamos longe do final. Isso foi um grande paradoxo. Existem, ainda, alguns conceitos importantes sobre a teoria da terra antiga que precisam ser ditos:
As leis físicas são consideradas uma constante imutável por Deus, exceto, salvaguardo, um milagre transformacional. Desde antes do pecado de Adão, a segunda lei da termodinâmica já estava ativa. Além deste parâmetro, é bom citar que a teoria da terra antiga, aborda, no modelo Dia-Era, uma base de integração construtiva, que é o que eu disse no começo da nossa sequência de artigos: buscam integrar os milagres da Bíblia, e explica-los na medida do possível, pelas leis criadas pelo próprio Deus. Não apenas o milagre, mas a estrutura da Criação. A ideia da teoria da terra antiga é facilitadora: utilizar ciência para que possamos confiar no Senhor, e reconhecê-Lo em sua grande Criação. Isso pode soar um tanto quanto “Tomé”, algo como “ver para crer”. Porém, posso dizer que nem mesmo nós, que temos o Espírito Santo todos os dias, temos um décimo da fé de Tomé, que buscou morrer por Cristo. Porém, isso é outro assunto.
A posição de integração construtivista não nega que haverá conflitos entre fé e ciência, mas sim, busca minimizar os mesmos, e quando não houver conciliação, aponta para a fé.
Agora, irei citar nove bases bíblicas para a teoria da terra antiga:
1- Eventos do Sexto dia: nesse dia, Adão teve tempo de enumerar e nomear cada um dos animais, bem como cuidar do jardim, se alimentar, entre outras funções, logo, levaria anos para tal trabalho, no mínimo;
2- Continuação do Sétimo dia: diferente dos outros seis, Moisés não retrata que teve dia e manhã no sétimo dia. Em Salmos 95, João 5 e Hebreus 4, vemos que o dia de descanso permanece até hoje, logo, isso nos leva a crer que o dia sétimo, bem como os demais, podem ser considerados como eras, não dias. Se o sétimo dia se estende por milhares de anos, mas também é finito, subentende-se que os demais dias, seguem mesma lógica;
3- Diferenças referenciais de tempo: o tempo de Deus não é o nosso – Ele é atemporal. Salmo 90:4 torna de conhecimento público que mil anos, para Deus, são como um dia;
4- A eternidade de Deus comparada: mais uma vez, se apoiando na questão figurativa e metafórica, há a diferença de linguagem entre Moisés e Deus;
5- Afirmações sobre a antiguidade da terra: tanto Habacuque quanto Pedro declaram que a terra é antiga, existente há muito tempo. Esse não é um bom argumento, definitivamente, afinal, muito tempo não significa exatamente o tempo citado pelo tempo da teoria;
6- Dias numerados, não 24 horas: mais uma vez, retornamos à argumentação dos vários sentidos de Yom, retornando para a interpretação de que Yom pode significar longos períodos também;
7- Analogias do Shabbat e do descanso de Deus: um argumento um tanto repetitivo, afinal, a continuação do sétimo dia já está no segundo argumento;
8- Derramamento de sangue para expiação: esse argumento vem para se contrapor à questão da imortalidade antes da Queda, dizendo que a morte já ocorria nos animais, pois, em longos períodos, a morte é inevitável para manutenção da vida. Se só o sangue de Cristo é a expiação – o cenário da purificação por sangue não pede que animais também sejam imortais, mas sim, que Cristo veio para salvar o homem;
9- Declarações de tarde e manhã são transições: voltamos para múltiplo e metafórico significado de dia e manhã, que podem significar períodos mais longos, assim como os dias.
Outros últimos pontos importantes para a teoria da terra antiga, é que ela não rejeita a evidência dos fósseis, antes, reforça que Gênesis 1-2 trata-se da introdução de diversas espécies, por eras, que foram modificando-se até o período humano. Por quê? Bom, preparação das eras, estrutura do solo, formação de habitat natural, tudo entra no quesito dos milagres sustentadores. Além disso tudo, a teoria da terra antiga também aborda temas como extinção em massa, depósito de minerais feitos por microorganismos durante milhões de anos, tudo com extrema maestria e conhecimento. A teoria também aceita dilúvio de Noé como uma realidade palpável e contabiliza questões físicas que dão base para sua existência. Para mais detalhes, sugiro não só a leitura do livro base de nossas referências, como também o livro “Questão de Dias”, do autor Hugh Ross. Para mais informações sobre esses temas, dedicação e estudo são fundamentais. Estamos aqui, apenas como facilitadores, oferecendo os primeiros passos nessas teorias.
Podemos observar uma base científica muito mais sólida nessa teoria, porém, há ainda outras ainda mais profundas nesse quesito a serem analisadas. Também pudemos observar que essa teoria é mais uma que não sai do escopo teológico, antes o reforça. Que Deus, Criador dos céus e da Terra, seu Filho, nosso advogado Fiel e Cordeiro de Deus, justo e compassivo, e seu Espírito Santo, nosso conselheiro e amigo fiel, que tem ciúmes de nós, nos guiem em nossos estudos e fortaleçam nossos corações na sua verdade. Amém!

Sthaner Mendes de Sousa, 27 anos, membro da 1ª Igreja Presbiteriana de Barretos, seminarista no Seminário Teológico Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição em SP-Capital, também formado em Ciências Biológicas pelo IFSP- Campus Barretos.