Tentações

“Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (João 16:33)

Existe uma paz que o mundo não nos dá e essa paz é a que vem de uma fonte chamada Jesus Cristo. Quando Jesus nos diz que no mundo passaríamos por aflições, Ele estava se referindo não apenas aos sofrimentos em si, mas também às tentações que geram sofrimentos. No entanto, nenhuma aflição que nos sobrevém, permanece desacompanhada de uma promessa relacionada a ela nas Escrituras. Ou seja, o Senhor não nos alerta sobre os perigos deste mundo sem nos garantir que Ele é poderoso para nos livrar e auxiliar durante a nossa caminhada diária.

Vivemos em um mundo cheio de tentações e Jesus sabia muito bem disso, afinal de contas, Ele mesmo em tudo foi tentado. Mas, o que fazer diante delas? Como agir? Neste artigo, falaremos de maneira específica sobre como as mulheres deveriam lidar com as tentações.

Sabemos que inúmeras mulheres vivem diariamente no trabalho o desafio de não ceder às investidas ímpias e de não se amoldar ao mundo no que se refere às exigências da vida profissional. Isso é muito mais comum do que imaginamos, de maneira que devemos assumir que as tentações são reais e que elas nos oferecem sérios riscos. E aqui já aprendemos uma primeira grande lição: ignorar a existência e o perigo das tentações é ceder vitória ao inimigo.

As tentações são tão sérias que as Escrituras contêm vasto conteúdo de alerta sobre o assunto. Mas, por que existem tentações? Porque o mundo jaz no maligno e o deus deste século, ainda que seja um inimigo já derrotado, continua investindo contra o povo de Deus. E, por que elas são perigosas? Porque, ainda que o espírito esteja pronto, nossa natureza é fraca e inclinada para o pecado. Ou seja, mesmo habitando em Canaã, quando mal percebemos, já estamos de malas prontas para voltar ao Egito. Não é sem razão que o Senhor nos ordena a vigiar e orar e a nos aproximarmos do trono da graça a fim de recebermos misericórdia no momento da necessidade (Hebreus 4:16).

Não podemos vencer essa luta sozinhos. O Senhor é fiel e sempre nos provê escape para que possamos suportar a tentação (1 Coríntios 10:14). Mas, devemos fazer a nossa parte. E qual seria a nossa parte? Vejamos na prática:

  1. Estarmos cientes de que seremos seduzidos e tentados por pessoas e situações;
  2. Não ceder aos maus (Provérbios 1:10);
  3. Orando e vigiando (Mateus 26:41);
  4. Manter nossos pensamentos nas coisas do alto (Colossenses 3:2);
  5. Não cultivar maus desejos (Tiago 1:14);

Não negocie os seus valores. Tenha sempre a certeza de que sua obediência gerará frutos em sua vida. Portanto, antes de pensar “ah, mas se eu não fizer isso que meu chefe está me pedindo, o meu emprego estará em risco”, questione-se: “a quem eu sirvo? A Deus ou a homens?” De que adiantaria você ganhar uma promoção ou manter um emprego cujas práticas não condizem com os seus valores e perder a abundância de Deus em sua vida?

O grande erro dos seres humanos é trocar a glória de Deus pela glória de homens invertendo, assim, as prioridades. Obediência gera benção e desobediência, maldição. Ser cristã num mundo não cristão é andar na contramão do sistema. Simples assim. Não é sem razão que o Senhor nos diz que, se quisermos realmente segui-Lo, devemos tomar a nossa cruz. A cruz da renúncia!

Quantos de nós não somos tentados diariamente a pecar cedendo às investidas e propostas aparentemente irrecusáveis em nossos empregos? E é aí que o joio é separado do trigo. São nessas horas que podemos realmente avaliar a quem servimos e diante de quem nos dobramos.

Aprender a não ceder às tentações não é somente uma questão de valores, mas, mais do que isso, uma questão de amor, confiança e submissão completa à vontade soberana e perfeita de Deus. Quando o Senhor nos diz: “você terá muitas aflições, mas fique tranquilo porque eu tenho a saída”, Ele está nos chamando para um relacionamento cuja base é a confiança.

Portanto, concluímos que, se agimos de acordo com o que Jesus nos diz, quando resistimos às tentações, estamos resistindo ao diabo e ele irá fugir de nós. E, se ele foge de nós, nós conseguimos ter uma vida de paz, mas não a falsa sensação de paz que o mundo pode dar, mas a paz que somente uma vida de obediência a Cristo pode gerar em nós. Vale a pena não ceder, vale a pena se posicionar e vale a pena evitar situações tentadoras na vida profissional e em qualquer outra área da vida.

Não há neutralidade no evangelho: ou somos frios ou quentes. Ou juntamos com Jesus ou seremos dos que espalham. Não podemos compartimentar nossa vida em setores e colocar Deus em apenas alguns deles. Ser cristão é sê-lo em totalidade e integridade. Não podemos viver uma vida de “abrir mão aqui e acolá”, na ilusão de que Deus não se envolve em nosso trabalho. Ele não quer ser Deus na sua vida apenas nos cultos de domingo, mas absolutamente em tudo. Portanto, que não tenhamos medo. Antes, que possamos firmemente resistir ao maligno e ele fugirá de nós. Que nos posicionemos sabendo que, diferente do que fazia a igreja de Laodiceia, não há mornidão no Evangelho. Seja o nosso “sim”, sim, e o nosso “não”, não, pois, de que vale ao homem ganhar o mundo e perder a sua alma?


Bella Falconi é casada e mãe de duas meninas, Victoria e Stella. Bacharel e Mestre em Nutrição pela Northeastern University – EUA, é também pós-graduanda em Teologia Sistemática pelo Centro Presbiteriano Andrew Jumper. Palestrante internacionalmente reconhecida e influenciadora digital, com mais de 4 milhões de seguidores, é também membro da Igreja Presbiteriana de Pinheiros em São Paulo – SP.

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