Estou lendo um livro da área da teologia bíblica. A teologia bíblica é aquela área da teologia que estuda o desenrolar da revelação progressiva de Deus nas Escrituras. Neste livro (que estou lendo), ao falar sobre a origem da vida, a criação do mundo e tudo o mais que se relaciona com esses tópicos, o autor expõe [e defende] aquilo que se tornou conhecido como evoteísmo, que nada mais é do que uma tentativa de fusão entre a teoria da evolução (evolucionismo) e o teísmo.
Apesar de, olhando de baixo para cima [a partir de minha pequena estatura intelectual], ter considerado a tentativa do autor uma tentativa riquíssima em profundidade e perigosamente persuasiva, discordei dele, como era de se esperar. Em primeiro lugar, por paixão e por prudência (ao mesmo tempo), no tocante a este assunto tenho me juntado às fileiras que incluem a maioria dos cristãos e a maioria dos grandes teólogos de todos os tempos. É claro que pode acontecer de a maioria estar errada – mas, ainda assim, é arriscado afirmar isso de bate-pronto. Em segundo lugar, e não menos importante, discordei do autor do livro porque mesmo na comunidade científica não há um consenso em torno da teoria da evolução, a qual nada mais é do que isso: uma teoria. É claro que, na academia, há uma quantidade bastante significativa de pessoas defendendo que a teoria da evolução explica as nossas origens, mas, definitivamente, não há um consenso acerca desse assunto.
Se, de uma perspectiva, meus olhos brilharam diante da capacidade argumentativa do autor, um PhD, e sua habilidade de harmonizar o seu evoteísmo com os pontos ortodoxos do cristianismo histórico, por outro lado, me senti triste, justamente por ter ele se decidido na teologia por algo que, na ciência, nem mesmo os próprios da área, os cientistas, chegaram a se decidir [ainda]. O fato é que, como veremos, as coisas não são exatamente como parecem ser – o que se prega por aí, mundo afora, na mídia, nas escolas e nas universidades, não faz jus à realidade.
Agindo precipitadamente
Isso mostra que, como cristãos, estamos aceitando pressupostos ateístas e dogmas científicos antes mesmo de empregarmos uma jornada diligente na busca da melhor versão da história – história esta que é nada mais nada menos que a nossa própria história. Sim, quando falamos das origens, quando lemos Gênesis 1 e 2, estamos falando de história. Não posso dizer, obviamente, que os grandes teólogos que optaram pelo evoteísmo não empregaram esforços nesta jornada – no entanto, me pergunto, de onde surgiu a certeza quanto a este tópico, a ponto de alguns deles submeterem seu trabalho em teologia a esta teoria mal contada?
Muitos dos nossos doutores e mestres (cristãos) preferiram agir de maneira precipitada. Decidiram que a melhor opção diante do discurso “científico” era ressignificar passagens bíblicas, bem como reinterpretar doutrinas cristãs consolidadas. O que decorre disso é que muitos crentes, inevitavelmente, guiados pelos “mais entendidos”, tomaram o mesmo caminho, e isso, antes de terem trilhado essa jornada investigativa particular que certamente se transformaria em um despertar para a revolução contra o maior dogma ateu de todos os tempos: o materialismo filosófico.
O fato é que, ao colocarmos os dados científicos sobre a mesa – fundamentando-nos somente neles –, encontramos uma base racional que não apenas nos permite escolher, mas que nos leva a escolher a melhor resposta para a maior questão de todos os tempos, que diz respeito à causa primeira do Universo e da vida.
Um não ao evoteísmo
No dito evoteísmo, o problema cristão em relação à teoria da evolução se intensifica:
“Na defesa da evolução, [os] “evoteístas” pronunciam-se de forma bastante assertiva, com o dogmatismo que caracteriza as pessoas que juram pela chamada “ciência”, sem admitir o alto grau de volatilidade e contínuo aperfeiçoamento do conhecimento desta. Normalmente, não apresentam nenhum traço de que estejamos apenas adentrando a leitura de uma opinião ou teoria própria ou de autores. Podemos até admitir que a intenção é nobre – prestigiar as Escrituras, mas quando impedem que elas afetem o nosso entendimento do universo criado por Deus, o meio encontrado para declarar esse prestígio é letal para a alma e para o intelecto.”[1]
Isto é, além de apoiar a teoria que dá base ao ateísmo da era moderna, o evoteísta erra como todo evolucionista tradicional, sendo dogmático em suas afirmações, sem admitir que, em Ciência, existe a necessidade de um constante aperfeiçoamento por parte do cientista e, em consequência disso, de muita cautela em suas afirmações, pois dados novos são encontrados a todo momento, de maneira que conclusões antigas precisam ser revistas e corrigidas, a fim de que a verdade prevaleça – é preciso se render aos dados. Mas, muito diferente disso, os envolvidos agem como se os dados que surgiram depois de Darwin não contradissessem em nada, ou praticamente em nada, a teoria por ele sugerida. O evoteísta, inevitavelmente, embarca na mesma viagem do evolucionista tradicional.
Depois, para conciliar a “ciência” e a Bíblia, o evoteísta, utilizando-se da aplicação de princípios hermenêuticos não-tradicionais, deixa o cristão “a se virar” com a informação de que, a respeito da origem de todas as coisas, da vida e do Universo, Deus concedeu ao Seu povo nada mais do que um mito [ou metáfora], o qual fora registrado logo no início de Gênesis. O que se dá é que Deus teria inspirado o autor bíblico a tão somente compilar da melhor forma os relatos pagãos que conhecera até então, não revelando-lhe, no final das contas, coisa alguma, antes, apenas impelindo o autor a “dar o seu melhor” nessa espécie de “organização centrada no Deus de Israel” dos relatos correntes em sua época e região.
Na prática, segundo os evoteístas, a fim de combater os conceitos pagãos sobre a origem da vida e do universo, os quais divinizavam os elementos da natureza, Deus apenas teria fornecido teologia ao autor bíblico, levando-o a não muito mais do que utilizar-se de trechos dos próprios conceitos pagãos para expor esta “teologia correta” a respeito da soberania e atividade de Deus na instauração da “ordem” sobre o “caos primordial”. Para que este objetivo fosse alcançado, segundo os defensores do evoteísmo, um relato metafórico teria sido o suficiente, e nós encontramos este relato em Gênesis 1 e 2 (as disputas se seguem até o capítulo 11).
Isso, para muitos teólogos e cientistas, não é apenas um apego a um ponto em torno do qual, na ciência, jamais houve e, certamente, jamais haverá unanimidade, mas, também é, em teologia, o apegar-se ao aspecto humano envolvido na composição das Escrituras, ao mesmo tempo em que se ignora o que ensina doutrina da inspiração verbal e plena da Bíblia – é tentar servir a dois senhores, o que comprovadamente leva a resultados desastrosos.
É claro que, sendo plenamente histórico, Gênesis 1 e 2 também é forte em sua polêmica contra as religiões pagãs de sua época.[2] Mas, isso quer dizer que Gênesis fora escrito para isso, com esse objetivo? Ou, devemos reconhecer que, ao simplesmente declarar a Verdade, Gênesis derruba toda mentira?
Por fim, segundo eles, como não era a intenção de Deus ser precisamente científico (e não era mesmo), Ele decidiu deixar-nos com outra coisa, que não a Verdade sobre os fatos. Seguindo esse caminho, se nos aprofundarmos na defesa evoteísta, veremos que a Criação deixa de ser exatamente uma criação, para ser transformada em nada mais que uma espécie de organização dos elementos protagonizada pelo “Organizador Supremo” – uma organização dos elementos pré-existentes e caóticos surgidos lá no “início de todas as coisas segundo a Ciência”.
Um convite à jornada
Recentemente, o Rev. Solano Portela, em um artigo no site da Coalizão pelo Evangelho, já citado anteriormente, salientou que
“O cristão não precisa ser um cientista nem ter conhecimento científico para avaliar a incompatibilidade do Darwinismo com a Palavra de Deus. A teoria da evolução não se compatibiliza com o caráter histórico e teológico das narrativas. Logicamente, existe muito campo para controvérsias legítimas, dentro de uma visão estritamente criacionista, como por exemplo no que diz respeito à idade do universo e à duração dos dias da criação. Entretanto, o evolucionismo é simplesmente uma teoria histórica e teologicamente incompatível com o conteúdo das Escrituras. Além disso, mesmo dentro dos círculos não cristãos, as evidências de um projeto inteligente no universo (ou intelligent design) têm sido reconhecidas e propagadas por vários cientistas. Não são os cristãos que têm que reavaliar Darwin, mas é a comunidade acadêmica. Como já fomos alertados por Michael Behe, se a microbiologia existisse em seus dias, Darwin nunca teria desenvolvido a teoria da evolução para explicar a origem das espécies.”[3]
Enfatizando: “o cristão não precisa ser um cientista nem ter conhecimento científico para avaliar a incompatibilidade do Darwinismo com a Palavra de Deus”. No entanto, para que ninguém venha a “comer pela mão dos outros”, convidamos ao leitor cristão a empenhar sua própria jornada investigativa a respeito do assunto, pois, diferente do que é propagandeado pela mídia ateísta militante, a mídia mundialmente dominante, a ciência sabe, hoje, muito mais sobre a origem das coisas do que se imagina: sim, à luz das mais recentes descobertas, o evolucionismo está com os dias contados – pelo menos no que diz respeito àqueles cientistas que são pautados pela honestidade. Se considerarmos isso, o evoteísmo não é apenas um erro, é uma gafe.
Essa jornada, se iniciada imediatamente, se fará em boa hora, pois vivemos em um período único da história da Ciência, que não sabemos quanto tempo irá durar. Atualmente, temos um grande privilégio: para todas as pessoas, e em qualquer lugar, há disponível uma enorme quantidade de informação acumulada sobre esses assuntos do Universo e da vida. Todo esse conhecimento disponível já vem catalisando, há anos, um grande debate sobre as nossas origens, e esse debate tem colocado em xeque o dogma maior do materialismo e sua ciência preconceituosa, que só vê matéria, energia e espaço neste Universo, e nada mais. E este conhecimento pode ajudar você.
Na Ciência, nada melhor do que um dado científico após o outro. Não esqueçamos que uma avalanche nada mais é do que majoritariamente um monte de flocos de neve minúsculos unidos que se precipitam do alto da montanha em direção ao vale, levando em frente tudo o que aparece em seu caminho. Uma avalanche imensa de dados tem surgido em todas as áreas da Ciência, a qual pode conduzir qualquer pessoa honesta [formada ou não em Ciência] a fazer uma reavaliação racional, detalhada e precisa sobre a nossa verdadeira causa.
Parte 2
A minha dificuldade para com o evoteísmo está relacionada, principalmente, com a pergunta: de onde essa informação [de que o processo criativo se deu através de evolução, uma evolução guiada] vem?[4] A Bíblia não diz que Deus fez assim e a ciência também não. O que se segue é que essa teoria se revela um pressuposto desenvolvido a partir da dedução de uma ou mais pessoas, as quais simpatizam com ambos os lados (evolucionismo e cristianismo), mas que, para tentar a conciliação entre eles, na verdade, não apontam base para suas afirmações em nenhum destes dois lados.
Quando a narrativa da Criação, de Genesis 1:3 em diante, entra em cena, a dedução de uma evolução coordenada por Deus não pode ser feita nem a partir da leitura do texto bíblico nem a partir dos livros científicos, o que, na verdade, faz com que o evoteísmo se transforme em nada mais que uma tentativa de hibridizar as duas narrativas, mas sem base sólida. No final das contas, nem a Ciência “oficial”, nem o texto bíblico suportam a ideia na sua base.
Reflitamos: se afirmarmos para um cientista ateu que foi Deus quem conduziu a evolução, a pergunta que receberemos será: “com base em que, você sugere tal hipótese?” ou “qual é o embasamento para essa afirmação?”. O fato é que tal coisa não passa de dedução do sujeito que a afirmou.
O problema ganha maior proporção quando pensamos que, se este indivíduo deduziu isso “do nada”, baseado apenas no desejo de acreditar, ao mesmo tempo, na Bíblia e nos muitos pressupostos evolucionistas, o que o impedirá de propor outras hibridizações, mesclando parte do texto bíblico com parte de uma ciência humana? Qual seria o limite para isso? E: por que devemos dar crédito a alguma pessoa que faz esse tipo de afirmação, se o ponto de partida para sua teoria, ao invés de ser uma ação investigativa diligente, como a que propomos aqui, é a sua própria mente, que meramente junta e harmoniza proposições?
No evoteísmo, vemos, por exemplo, em livros e artigos, afirmações como a de que Adão e Eva eram dois hominídeos, dentre vários que Deus teria em dado momento dotado de uma consciência maior, e isso é o que seria a imagem e semelhança, expressão que lemos em Gênesis. Muito bem escritos estes livros e artigos, lógica bem concatenada, mas a pergunta que fazemos aos autores é: quem disse que isso foi assim? Na verdade, enfatizamos que estes autores inventaram tais coisas, como hipóteses possíveis. Pois nem a Bíblia disse que foi assim que as coisas aconteceram, e nem a ciência. Não existe evidência fenomenológica que afirme que Deus conduziu a evolução. Existem evidências históricas que mostram que Deus criou o mundo e depois criou o homem do pó da terra (aqui, consideramos a Bíblia como documento histórico). Existem conclusões de cientistas que são tratadas como evidências de que o homem é fruto de milhões de anos de evoluções e cruzamentos com outros hominídeos. Todavia, não existe uma evidência que misture essas informações que são, sejamos honestos, contraditórias.
O evoteísmo é fantasioso, porque é uma ideia inventada – um esforço para abraçar duas propostas de origens diferentes. É especulação. Ou, poderíamos chamar, de um novo paradigma. Teríamos que optar entre algo que Moisés falou e algo que Loren Haarsma falou, por exemplo.
Alguém pode dizer que o evoteísmo é uma espécie de conclusão de duas verdades – essa seria a proposta. Uma vez que Deus é o Criador e é soberano, e que a especiação se dá pela seleção (duas verdades, segundo os evoteístas), logo, os dois posicionamentos apontam para Deus dirigindo (no sentido correto, soberano) esses processos. Não seria isso?
Acreditamos, sim, que essa seja a intenção. Mas, o que vemos, mais uma vez, é que este é um conhecimento que simplesmente está sendo construído sobre uma dedução anterior, que não possui embasamento algum, e que daqui a algum tempo servirá para que outra pessoa baseie a construção de uma outra ideia ainda mais nova. No entanto, quando voltamos ao questionamento sobre “de onde o autor tirou isso?”, a resposta que encontraremos será: de lugar nenhum. Ele inventou a ideia para tentar converter cientistas, ou tentar convencer jovens a não abandonarem a fé porque acreditam em Darwin, por exemplo. Ele torceu doutrinas de ambos os lados para que estas afirmem as suas convicções pessoais. A intenção pode até ser nobre, mas, nem cientificamente, nem teologicamente, é sustentável.
E o que todos os dados sugerem?
De fato, evoluímos segundo a teoria que teve início em Darwin, por meio de processos acéfalos, que logicamente não tinham o ser humano em mente? Ou será que fomos planejados por uma mente inteligente, consciente e com propósitos? Se a resposta desta última pergunta for “sim”, esse plano foi executado a partir de evolução e seleção natural, conduzido por esta mente inteligente, ou a partir de uma “criação” como a que vemos na Bíblia? Nosso destino será mesmo o da aniquilação total, naquele frio congelante de um Universo envelhecido, esgotado e inanimado, como defendem os cientistas, ou será que podemos inferir com segurança que há, sim, propósito na vida e no Universo que a acolhe?
A única resposta para estas perguntas, com a qual você se deparará depois de uma jornada pessoal, profunda e diligente através do assunto é: somos parte de um plano minuciosamente arquitetado. Precisamos, como cristãos, fomentar o confronto entre essas duas teorias, propondo um debate que obedecerá à única regra da Ciência: “Siga os dados onde quer que eles o levem, deixando seu gosto em casa”. As duas opções para o descobrimento da causa de nossa origem são: Deus ou evolução? Não há uma terceira via chamada “Deus e evolução”.
Para cristãos desejosos de se aventurar nesta jornada:[5]
A Criação é um evento histórico, e o texto de Gênesis deve ser entendido como história verdadeira, como algo que de fato aconteceu
O Salmo 136 coloca a criação no contexto de outros eventos históricos na vida de Israel e não faz a menor diferença entre eles. A verdade de várias afirmações de Jesus e dos apóstolos depende do pressuposto de que a narrativa da criação em Gênesis seja uma história verdadeira (Mateus 19:4-6, Mateus 24:37; Lucas 11.51). Adão e Eva foram pessoas que realmente existiram, segundo Paulo (1 Coríntios 15:45 e 2 Timóteo 2:13-14). Os atos criadores de Deus são eventos históricos, no sentido que, de fato, aconteceram.
Van Groningen chama atenção para Gênesis 1.1:
“O uso do termo bãrã no Antigo Testamento leva o conceito do que Deus fez, faz ou irá fazer realmente. Indica um evento concreto, real e histórico. Gênesis 1.1 informa o leitor do que Deus realmente fez. Isto é um evento histórico no começo absoluto do tempo, espaço e substância do cosmos. Gênesis 1.1 fixa o palco; prepara o leitor para o que se segue, um relato do que Deus realmente fez.”[6]
Do nada
Deus criou o mundo ex nihilo, ou seja, “do nada”. A criação a partir do nada (ex nihilo), ou sem o uso de matéria preexistente significa que
“tudo o que existe agora começou com o ato de Deus que o trouxe à existência — ele não moldou nem adaptou nada que já existia independentemente dele”.[7]
Antes da criação só existia Deus. As palavras “no princípio” levantam a pergunta: “no princípio de quê?” A implicação é no princípio de todas as coisas no universo. Hoje, as descobertas da ciência apoiam a idéia de Agostinho de que o princípio incluiu a criação do tempo e do espaço. O universo não é uma emanação do ser de Deus, nem um acidente cósmico. A criação não aconteceu por acaso. Nem a partir de algo que já existia. Mesmo o tempo foi criado por Deus. O primeiro versículo não dá indicação da pré-existência de matéria que Deus tenha utilizado na criação. A própria doutrina da distinção entre o Criador e a criação é estabelecida pelo fato de que Deus criou o universo do nada.
“Não há o conceito [na Escritura] de um período que viesse antes da criação, nem de um período que se estende indefinidamente e que equivale à ‘eternidade’”.[8]
A doutrina da criação é uma afirmação de que tudo o que não é Deus derivou sua existência dele. Não existe uma realidade última diferente do Deus criador. Não há, de um lado, a divindade criadora e, do outro, a matéria pré-existente, que já se encontrava à mão, e sobre a qual a divindade trabalhou, empregando-a na criação. Para as Escrituras, Deus não trabalhou com algo que existia. Ele trouxe à existência o próprio material bruto empregado. Caso contrário, Deus não seria realmente infinito.
Qualquer tentativa de decidir entre as várias opções deve dar prioridade ao texto bíblico e não se deixar guiar pelo que está na moda entre os cientistas
As teorias de ciência mudam, e a teoria de hoje pode ser desacreditada amanhã. A conclusão a que os cristãos chegam é que a Bíblia é o arcabouço para a interpretação do mundo físico e não o contrário. É por meio da Escritura que sabemos que Deus criou todas as coisas, e as criou com beleza e bondade, bem como as sustenta com Seu poder. As várias interpretações cristãs a respeito desses assuntos têm suas próprias dificuldades, de maneira que nenhuma delas deve ser assumida dogmaticamente. Deve-se ressaltar, no entanto, que é ainda mais perigoso deixar a nossa interpretação do texto depender de uma interpretação da ciência, pois a ciência está sempre mudando [ou, pelo menos, deveria, diante dos dados que se apresentam a todo momento].
Daqui a um século pode existir uma interpretação científica totalmente diferente da que é aceita hoje. O que é importante são as afirmações bíblicas de que Deus criou tudo, que a criação no princípio era muito boa, e que ele criou homem e mulher à sua imagem, com responsabilidades especiais para cuidar da criação e obedecer a Deus, e tudo para sua glória, e o que a Bíblia nos conta sobre como foi esta criação, a Criação.
NOTAS
[1] PORTELA, Solano. A Crença na Evolução e no Cristianismo, ou o Chamado “Evoteísmo”. Disponível em https://coalizaopeloevangelho.org/article/a-crenca-na-evolucao-e-no-cristianismo-ou-o-chamado-evoteismo/. Acesso em 01/08/2021, às 22h:26min.
[2] J. Scott Horrell, Apostila de teologia sistemática, p. 31.
[3] PORTELA, Solano. A Crença na Evolução e no Cristianismo, ou o Chamado “Evoteísmo”. Disponível em https://coalizaopeloevangelho.org/article/a-crenca-na-evolucao-e-no-cristianismo-ou-o-chamado-evoteismo/. Acesso em 01/08/2021, às 22h:26min.
[4] Trecho inteiro baseado nos comentários de Matheus Hetti, na página do Instagram Cristãos na Ciência (@cristaosnaciencia), na postagem “Três mal-entendidos sobre “evolução guiada por Deus”, baseada no trabalho de Loren Haarsma, PhD, publicada no dia 04/08/2021, e disponível em https://www.instagram.com/p/CSJ0YlDAAwx/. Acesso em 06/08/2021, 22h:51min.
[5] Excertos de Franklin Ferreira e Alan Myatt, Teologia Sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual (São Paulo: Vida Nova, 2007), pg. 276-293.
[6] Gerard Van Groningen, Criação e consumação, V .l, p. 38-39.
[7] Millard J. Erickson, Introdução à teologia sistemática, p. 159.
[8] Alister E. Mcgrath, Teologia sistemática, histórica e filosófica, p. 356.

Marcos Motta, 28 anos, é editor-chefe de Revista Fé Cristã. Membro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Lajeado – RS, é estudante autodidata de teologia, e autor do livro Não Estamos Derrotados: A Verdadeira Vitória (2017). Na igreja local, coopera como pregador, e também como músico, cantor e compositor. Casado com Talita Motta.
Um comentário sobre “O evoteísmo e a necessária jornada investigativa pessoal sobre as origens”