Na tarde de sexta-feira, 1 de maio de 2020, nosso editor, Marcos Motta, entrevistou o Pr. Jackson Jacques via aplicativo WhatsApp. Jackson, conhecido nas redes sociais como Pastor Jack, no auge dos seus trinta e tantos anos, é líder da Igreja Vintage180, em Porto Alegre, capital gaúcha. O pastor, sem estrelismos e extremismos, atendeu ao nosso convite ainda durante o mês de abril e, semelhantemente, respondeu às nossas perguntas, de maneira simples, sóbria e descontraída, como convém a um ministro do Senhor.
Conhecido por sua pregação um tanto quanto ácida e sua hibridez que mescla pentecostalismo e teologia reformada, o pastor desnudou, neste bate-papo, um pouco mais de sua visão sobre alguns assuntos. Nosso desejo é que você possa ser abençoado por este registro.
MOTTA – Pastor Jack, como surgiu a Vintage180? Como foi o processo de planejamento e de start da igreja?
PR. JACK – Como surgiu a Vintage180? A Vintage180 surgiu no final de 2012, em umas reuniões que eu pregava em um salão de festas de uns amigos nossos. Eles estavam desiludidos com a igreja, estavam desanimados, porque congregavam em uma igreja em que o pastor havia cometido pecados graves, havia abandonado a igreja, abandonado a esposa – cometeu coisas que são até crimes. Eles estavam desiludidos e nós começamos a nos reunir nas segundas-feiras. Eu levava uma pregação, e pregava, e a gente cantava, e assim surgiu a Vintage. O processo de planejamento se deu quando nós vimos que as nossas reuniões já não comportavam mais as pessoas – era um salão de festas de um condomínio (na verdade, as reuniões religiosas eram até proibidas em salões de festas, a gente se reunia de forma clandestina), foi assim que surgiu a Vintage180.
MOTTA – Quando você percebeu que havia sido chamado por Deus para um “ministério brutal” – esse ministério que não tem papas na língua, que chama o problema pelo nome?
PR. JACK – Bom, então, eu notei que Deus tinha me chamado para isso, de forma honesta… [pode parecer pedante, cara, pode parecer orgulhoso, mas não é] Eu acredito na Bíblia, eu acredito no que Jesus falou, eu acredito que Jesus é Deus. Ele veio, Ele morreu, Ele ressuscitou ao terceiro dia e Ele comissionou apóstolos para pregar. Eu acredito na palavra que os profetas pregaram, que os apóstolos pregaram e, para mim, a Bíblia (ela) é o livro mais honesto que já foi escrito. O problema é que os pregadores não são honestos, entendeu?! E eu procuro ser um pregador honesto com o povo. Na verdade, eu não me acho assim uma coisa tão ofensiva, né, que não tenha papas na língua – eu acho que a Bíblia é assim. Eu procuro ser fiel à Bíblia, entendeu, então essa é a visão que eu tenho.
MOTTA – Pastor, sendo também um pastor internauta, que ocupa as mídias sociais com vigor, qual é a sua visão sobre a internet como meio de pregação do Evangelho e de apologia à fé cristã?
PR. JACK – Então, eu vejo a internet como uma providência divina para a nossa época, muito semelhante com a que os reformadores tiveram contato por intermédio da prensa, no século XVI. Eu acho que, sempre que Deus quer fazer alguma coisa na história, Ele coloca ferramentas nas mãos da Igreja. A gente vê isso no primeiro século, com a Pax Romana dando ferramentas para que as cartas pudessem transitar por intermédio do Império Romano. E isso fez toda diferença na compilação do Novo Testamento, na edificação das comunidades lá do primeiro século – isso deu corpo né, deu unidade à Igreja. O corpo de escritos, o Novo Testamento, unificou a fé e isso tudo se deu por causa da divina providência na Pax Romana, que construiu estradas em todo o Império. A primeira vez que isso ocorreu na história depois do século XVI, foi com a prensa, com o trabalho de Gutenberg, e, agora, eu acredito que Deus está fazendo um novo ato histórico que nós não temos como mensurar porque estamos dentro dele, mas, daqui há alguns anos, [e quando eu digo alguns, eu estou querendo dizer daqui há 100, 200, 300 anos] as pessoas vão olhar para trás e vão ver que Deus estava fazendo algo nesse momento. Então, eu vejo a internet como essa propagação do Evangelho, como fruto de uma providência divina. Os homens acham que as estradas do primeiro século eram para levar a glória dos reis – não era, era para levar a glória do Evangelho. Eu tenho certeza que a razão pela qual a internet foi feita é que Deus queria que o Nome d’Ele fosse glorificado em mais lugares.
MOTTA – É possível defender um cristianismo ortodoxo (e o verdadeiro Evangelho) na internet sem se envolver em polêmicas?
PR. JACK – Eu creio que não, mas é possível que as polêmicas sejam minimizadas quando a pessoa que está ouvindo vê, naquele que se propõe a ensinar, um compromisso com aquele ensino e uma intenção em não levantar polêmicas. Não sei se ficou bem claro, mas quando o ouvinte nota que aquele que ensina não está ali para levantar polêmicas, está ali comprometido com a edificação, e que a polêmica é uma consequência e não aquilo que o cara está buscando a todo custo, eu creio que essas polêmicas (elas) tendem a ser diminuídas, e diminuídas consideravelmente. Eu tenho experimentado isso no meu ministério.
MOTTA – Quais são os benefícios da polêmica na internet, e/ou do comportamento polemista? Tal comportamento pode ser empregado propositalmente a fim de que seja alcançado algum objetivo benéfico à causa do Senhor?
PR. JACK – Eu acredito que a polêmica na internet (ela) acaba gerando palco, mas eu, como um cara que provei isso, [e quando me envolvi com polêmica, na verdade, no primeiro momento, nem sabia o que estava fazendo, eu estava apenas indignado com a atual situação das coisas e tinha uma câmera na minha frente, e eu falei né, mas, depois]… com o tempo, a pessoa acaba sabendo como levantar uma audiência. Só que isso, eu acho que traz muitos malefícios para o Evangelho (também), a não ser que a causa seja algo muito sério, né. Agora, apenas construir um nome, levantar um público que te segue por polêmica, na verdade, (isso) é a maior bobagem do mundo para se envolver. Então, traz alguns benefícios, mas, traz muitos malefícios junto, (então) eu acho isso bem complicado, bem complicado mesmo. Só que assim, nós temos que tocar em temas polêmicos – é inevitável que isso ocorra, é inevitável… A gente tem que tocar em temas polêmicos, assim, se o ensino, se o vídeo, se os textos, se os livros não forem [produzidos apenas] pela polêmica, e o alvo não for a polêmica, eu acho válido, entendeu?
MOTTA – 1 Coríntios 1:10 nos diz: “Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer.“ Qual seria a aplicação prática, principalmente da parte B deste versículo, para o contexto atual, em que temos a disponibilização de muito conteúdo teológico e a manifestação diversa de opiniões, bem como o acesso simultâneo a materiais de diversas linhas teológicas diferentes?
PR. JACK – Eu acredito que a aplicação prática de 1 Coríntios 1:10 [precisa levar em conta], em primeiro lugar, [que] quem está falando ali é um apóstolo. Ele tem uma autoridade que nós não temos, então, a autoridade de Paulo (ela) é igual ao seu escrito. Seu escrito tem autoridade igual à dele. Então, acredito que aquilo ali, a Igreja ainda vive aquilo ali nos temas essenciais do Evangelho. Os temas essenciais do Evangelho [nós já tivemos, aí, dois mil anos de cristianismo] já foram bem definidos e eu acredito que nós temos o mesmo modo de pensar, [nós] a Igreja. Eu não acho que ela tem tantas linhas teológicas diferentes, assim, tantas diversas opiniões – eu acho que não tem. A Igreja pensa de forma bem unida, bem unificada, essas diversas opiniões que existem são em temas não centrais. Nos temas centrais, são pouquíssimas pessoas e, na verdade, as pessoas que pensam diferente [nisso] (elas) não tem nem voz no meio cristão. Então, o meu olhar para esse texto é um olhar bem positivo: eu acho que a gente vive isso.
MOTTA – Então, os temas não essenciais estariam sendo supervalorizados, chegando a formar grupos identitários e a esboçar divisões? Isso seria resultado de uma supervalorização?
PR. JACK – Eu diria que os temas não essenciais… eu acredito que os temas não essenciais crescem no solo do não compromisso. Quando eu estou comprometido com uma igreja, quando a teologia está nascendo no solo da igreja, então, eu acredito que a gente não tem espaço para isso. A gente tem espaço até para uma certa pluralidade, e isso é benéfico. Na igreja que eu pastoreio, eu tenho uma visão escatológica e nós temos pastores com outra visão escatológica, e nós convivemos juntos de forma harmoniosa, e isso ressalta ainda mais aquilo que é essencial. Precisa haver discordância nas questões não essenciais, agora, se essas questões não essenciais nos dividem, então elas nunca foram não essenciais, sempre foram essenciais em nossas vidas – apenas no discurso elas foram não essenciais. Mas, volto a dizer: quando a gente tá no chão da fábrica, no dia a dia, trabalhando e equipando, cuidando, ajudando, nutrindo as pessoas, não sobra muito tempo para isso não, para essa bobagem aí de divisão por picuinha.
MOTTA – De que maneira os grupos teologicamente opostos podem lutar unidos contra os diversos movimentos e ideologias anticristãos que constantemente tentam invadir e destruir a Igreja e a causa de Cristo?
PR. JACK – Bom, primeiro de tudo, para nós lutarmos unidos, nós precisamos, de forma desesperada, ver o que nós temos em comum. Eu acho que nós nos apegamos, muitas vezes, até a pergunta anterior vai nessa linha, nós nos focamos muito naquilo em que nós somos diferentes, mas existem muito mais coisas que nos remetem a uma unidade dentro da Igreja. Então, os nossos credos, a forma como se faz uma catequese, a própria Escritura é um elemento unificador né… imagina: nós temos a Escritura – um elemento extremamente unificador, então, eu acredito que a melhor forma de nós lutarmos unidos contra esses movimentos, contra essas ideologias, é ressaltando aquilo que nos dá unidade, aquilo que mostra que somos um. [Então] se eu pudesse resumir tudo isso, eu resumiria no que Paulo resumiu, como a fé, a esperança e o amor, tá. Mas, a gente pode expandir isso para a Escritura, para os nossos credos, os credos ecumênicos, enfim, acho que o cristianismo (ele) é bem consistente nisso.
MOTTA – Quão longe estamos da igreja cristã histórica, positiva e negativamente? (Em quais aspectos ou áreas a Igreja contemporânea evoluiu e se tornou melhor do que as igrejas do passado e em quais aspectos ou áreas a igreja de hoje regrediu e descaracterizou o cristianismo histórico?)
PR. JACK – Eu acredito que nós não estamos longe da igreja histórica. A minha visão (ela) é bem positiva. Nós começamos com doze caras complicados, sendo que, dos doze, tinha um que o próprio Senhor disse que ele era o Diabo. Então, a minha visão da Igreja (ela) é bem positiva. Nós temos problemas? Temos. Mas, eu não acho que esses problemas evoluíram, né. Descaracterizou? Eu não acho que existe uma descaracterização do cristianismo histórico – eu não acredito nisso. O cristianismo histórico (ele) é marcado por virtudes e por loucura, então, nós olhamos o Novo Testamento e, basicamente, a razão pela qual o Novo Testamento foi escrito é para corrigir problemas. A Igreja, desde o seu nascer, (ela) já teve problemas. Na verdade, nós nunca tivemos uma época de ouro – a nossa época de ouro é antes do Éden, é lá no Éden, na verdade, é antes da Queda. Antes de Gênesis 3 foi nossa época de ouro e, depois disto, nossa época de ouro [será novamente] só na Igreja de Apocalipse, e nem é nos primeiros capítulos: só a Igreja, no final (lá) de Apocalipse. Esse é o nosso alvo. É complicado falar isso, mas o nosso alvo não é nem a Igreja de Atos – nosso alvo é a Igreja (lá) de Apocalipse, então, eu penso que a gente continua reproduzindo as limitações, os problemas que a Igreja sempre produziu. Na verdade, a grande diferença da Igreja é o pastor da Igreja, e o Nome dele é Jesus. Ele é o mantenedor da Igreja, Ele é quem sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder – eu acho que isso faz toda diferença!
MOTTA – O mundo está piorando ou está melhorando? Seria melhor se tivéssemos nascido em outra época?
PR. JACK – O mundo, de certa forma, (ele) está piorando e, de certa forma, ele está melhorando. Vamos tentar descompactar isso. O mundo piora na medida em que existe aquilo que o apóstolo Paulo fala em Romanos 1. O ser humano (ele) não apenas pratica o mal, ele inventa o mal – então, ele está piorando nisso. O mundo está melhorando na medida em que o Reino de Deus vem (vindo) e a Igreja está avançando. Hoje, nós temos acesso a um conteúdo bíblico muito maior do que há 500 anos. Willian Tyndale foi morto por traduzir a Bíblia para o inglês. Hoje, ainda que exista perseguição em alguns locais, o cristianismo tem avançado, tá. Eu não acredito que era melhor que nós tivéssemos nascido em uma outra época, porque Salomão disse que não é sábio dizer que os tempos antigos eram melhores, [então] eu não acredito nisso, eu acredito que o melhor está por vir, o melhor de Deus está por vir. Alguém vai dizer: “ah, o melhor de Deus é Jesus”… claro que é Jesus! “Então, Ele já veio”… Óbvio que já veio! Mas, Ele vai voltar, então, o melhor de Deus está por vir. O reino de Deus, a Nova Jerusalém, o futuro é maravilhoso, o futuro é fenomenal.
MOTTA – Olhando para os fatos, apelando para a “escatologia de jornal”, quão próximos podemos dizer que estamos do retorno do Rei?
PR. JACK – Eu não gosto de “escatologia de jornal” (risos). Mas, se eu fosse usar “escatologia de jornal”, eu ia ler um jornal cristão e eu ia pensar em quantas pessoas foram batizadas, quantas pessoas foram alcançadas, quantas pessoas foram perdoadas. Eu tenho visto o pior da raça humana, né, eu tenho visto pessoas abandonarem a cruz, eu tenho visto pessoas abandonando Jesus, e isso poderia trazer um desespero para mim, mas, simultaneamente, eu tenho visto pessoas abandonando seus pecados, eu tenho visto pessoas seguindo Jesus, eu tenho visto pessoas abrindo mão de direitos [que, anteriormente, não abririam] por causa da Palavra de Deus, por causa do Reino de Deus, então, eu acredito que o retorno do Rei está mais próximo do que imaginamos, mas, não por causa de algo caótico, tá bom, não por causa de algo caótico… Eu acredito que nós teremos, sim, uma grande apostasia nos últimos dias, só que as Escrituras não informam a duração dessa grande apostasia, então, acredito que a Igreja vai avançar, avançar, avançar, e nós teremos uma grande apostasia em um curto espaço de tempo, e Jesus volta.
MOTTA – Na sua perspectiva, o que o futuro trará para a igreja brasileira? (Perguntamos, anteriormente, se grupos teologicamente opostos podem lutar unidos em prol da fé cristã e de que maneira isso seria possível, então, talvez tenhamos a receita do que fazer, que foi o que buscamos naquela pergunta, mas, isso tem chance de acontecer? Há viabilidade para tal movimento?)
PR. JACK – Uma vez, eu ouvi o presidente do Grêmio (equipe gaúcha de futebol) falando que ele gostaria de viver 100, 200 anos, para ver o Grêmio daqui há 100, 200 anos. Ele amava tanto o Grêmio, que queria ver o Grêmio daqui até muito tempo. Eu amo tanto a Igreja que eu penso a mesma coisa que ele, só que em relação à Igreja. Eu gostaria de ver a Igreja daqui há 100, 200 anos. Eu acredito que a época que nós estamos vivendo vai ser marcada como a época em que viveram John Piper e D. A. Carson, talvez, Tim Keller – nós temos homens de Deus na nossa época. Eu acredito que movimentos, como “o negócio do Coalition” (The Gospel Coalition), bem como outros movimentos similares, como o Atos 29, têm ressaltado que o futuro da Igreja não depende das suas definições, mas, sim, daquilo que ela é em sua estrutura, como Igreja de Jesus. Eu acredito que, na prática, não é que a Igreja vai se unir no futuro – isso já está ocorrendo debaixo do nosso nariz, debaixo dos nossos olhos, debaixo (assim) das nossas barbas. Eu tive uma experiência fenomenal no Rio de Janeiro, na ordenação de um amigo meu, o pastor Rafael Ribas (colunista da Revista Fé Cristã). Quando ele foi ordenado, na época um pastor batista, nós tínhamos batistas, pentecostais, presbiterianos, todos reunidos na ordenação dele e, no momento em que ele foi ordenado, todos estavam estendendo as mãos, (estavam) ali, impondo as mãos e ordenando ele. Então, de certa forma, está tendo uma unidade e eu acredito que isso vai aumentar. A Igreja tem crescido em maturidade e em muitos lugares a internet tem sido canal de um bom ensino – eu acredito que Aquele que começou a boa obra vai completar ela.
MOTTA – O que dizer para os cristãos de nossa época que estão se deparando com um bom conteúdo cristão, em livros e na internet, e têm tido dificuldades para aplicar isso à vida prática, na igreja, em casa e em sua vida pessoal – e na própria internet?
PR. JACK – Eu diria para eles focarem no essencial. Eu diria para eles fugirem de tudo daquilo que é mera especulação, tudo aquilo que não os habilita às boas obras. Como a própria Bíblia diz, em 2 Timóteo 3:16: “Toda escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a educação na justiça a fim de que o servo de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” Para mim, todo ensino que não habilita para toda boa obra, tudo aquilo que não ecoa na vida prática, eu acredito que nós temos que abrir mão [disso]. A pessoa está tendo dificuldade de colocar isso em prática porque o ensino não é prático. Então, eu diria para abrir mão – acredito que não vai fazer diferença alguma. Se aquilo não te deixa mais santo, mais piedoso, esse ensino, essa leitura, esse vídeo pode esperar.
MOTTA – Qual o seu conselho para aquelas pessoas no seio da comunidade cristã, que estão se debatendo entre doutrina e prática, não apenas pela dificuldade pessoal, mas por causa das circunstâncias que as rodeiam?
PR. JACK – As pessoas que estão se debatendo entre doutrina e prática, na minha opinião, são pessoas que não entenderam o que é doutrina e não entenderam o que é prática, porque, na verdade, a doutrina bíblica (ela) é extremamente prática. Eu estou estudando, agora, o livro de Provérbios e fica claro ali que a lei, para o povo da aliança, (ela) é algo prático, que acontece no dia a dia, e é no dia a dia [não apenas] que a lei ocorre, mas, é onde o ensino acontece, conforme Deuteronômio 6, quando Moisés manda o homem andar no caminho, ensinando seu filho no dia a dia, com as coisas que ocorrem no dia a dia. Eu diria para essas pessoas procurarem consumir, ler, aprender aquilo que vai ter uma aplicação prática nas suas vidas e isso é bíblico. O problema, volto a dizer, são as especulações. Normalmente, as especulações nascem de uma mente preguiçosa, de uma mente sem compromisso, porque, quando você está comprometido com a edificação de algo, não tem como ficar especulando. Eu não tenho como especular se determinado alimento vai fazer bem ou não à minha filha, eu vou dar a ela os alimentos que eu sei que vão fazer bem para ela, o que o médico dela, o pediatra dela, disse que vai fazer bem para ela – eu não vou dar a ela um outro tipo de alimento – eu não vou especular. É engraçado que com a Escritura nós fazemos diferente, isso não deveria ser assim.
MOTTA – O que dizer sobre a relação entre a igreja brasileira e a política?
PR. JACK – O tema da política é um tema que (ele) causa muito, muito calor, mas pouquíssima luz. Eu diria que esse tema deveria ser tratado aos pés de Jesus, através da ótica do Apocalipse. Acredito que o Apocalipse é uma boa forma de olharmos o mundo, olharmos o futuro, olharmos o tempo presente, no qual nós estamos inseridos. O Apocalipse é uma ótima cosmovisão. Olhamos pelo prisma da eternidade, d’Aquele que reina e está assentando em um trono, e que tem um Dragão à solta tentando destruir o povo de Deus. Então, eu diria a todos que se sentem vocacionados para serem políticos, [para] trabalharem nesse meio, que se revistam da armadura de Deus que está em Efésios 6. Estudem, cuidem o vosso coração, cuidem para não se tornarem cínicos nesta caminhada e vão em nome de Jesus. Eu diria para os palpiteiros de plantão: mais silêncio, mais oração, menos fervor político, menos palavras de ordem, e eu diria a todos aqueles que estão envolvidos em discussões políticas para estudarem a teologia da adoração, para sondarem os [seus] corações, [para ver] se não estão cometendo idolatria política.
MOTTA – Uma última palavra?
PR. JACK – Eu ficaria com o centro da Escritura, que está em Filipenses, capítulo 2: “Jesus Cristo tem um Nome acima de todo Nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo da terra. E toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai”, ou seja, nós temos que viver o dia de hoje para a fama do Senhor, para a fama do Nome de Jesus. Se não estamos fazendo isso, nós estamos sendo inúteis e aquilo que é eternamente inútil não tem utilidade para o dia de hoje, também. Que isso possa estar diante dos nossos olhos e que nós venhamos a ter uma obsessão, [uma obsessão!] e essa obsessão seja a fama do Nome de Jesus. Nós não temos como ter mais de uma obsessão, não existe [como]. Então, eu diria isso a todos no dia de hoje. Um abraço!

Marcos Motta, 28 anos, é editor-chefe de Revista Fé Cristã. Membro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Lajeado – RS, é estudante autodidata de teologia, e autor do livro Não Estamos Derrotados: A Verdadeira Vitória (2017). Na igreja local, coopera como pregador, e também como músico, cantor e compositor. Casado com Talita Motta.