Amor ou imundícia? O divórcio é exatamente o oposto do que o amor faz

Sempre que paro para refletir profundamente sobre algo, sou levado a uma dimensão imaginária, um lapso, em que, mesmo que eu tenha refletido por não mais que poucos segundos, a sensação é que aquele momento durou muitas horas. Dificilmente consigo sair desse estado de reflexão a não ser que algo ou alguém me chame de volta. Foi numa experiência como esta que pude entender algo que todos deveriam saber: “a grandeza de um homem não consiste naquilo que ele é, mas nas coisas que ele ama”. Você deve estar se perguntando: “o que levou ele a refletir sobre isso?” Pois bem, recentemente tive a notícia do divórcio de um comediante famoso. Nas redes sociais, ele chegou a dizer que, para que o amor permanecesse entre ele e sua agora ex-esposa, eles deveriam divorciar-se.

Ora, o divórcio é exatamente o oposto do que o amor faz.

Parece-me que, quanto mais o mundo gira, mais as pessoas ficam tontas e perdem completamente o senso de verdade. O mundo com frequência fica de ponta cabeça, e a inversão de valores predomina em nossa geração. Não importa quantos homens Deus tem levantado para pregarem sobre as coisas eternas, nas quais vale a pena colocarmos o coração, o homem sempre vai preferir se afogar nas águas do pecado do que entrar na arca da salvação. As Escrituras nos dizem que nos últimos dias as coisas serão como eram nos dias de Noé, dias em que as pessoas “casavam e davam-se em casamento” (Lucas 17:27). Ora, esse texto bíblico, entre outras coisas, me aponta para a atual insustentabilidade do matrimônio. O que parece é que, em nossos dias, casar e descasar-se seguidamente, tem sido algo cada vez mais comum, assim como era na época de Noé.

A época na qual estamos vivendo é realmente assustadora. O amor é uma raridade, a felicidade está em extinção, o bom senso tem sido distorcido sempre mais, e o que é atemporal é odiado intensamente. É como se a civilização de nossa época estivesse em convulsão. A humanidade está naufragando. Um naufrágio não somente coloca os tripulantes do navio em desespero, como também faz com que sintam intenso enjoo durante todo o tempo em que, à deriva, permanecem enfrentando as ondas. Quem não sente enjoo deste mundo é por que já pertence a ele.

A família é a instituição que deveria ser o centro do universo, e a Igreja deveria ensinar a esta geração a importância do lar e qual a missão do homem no casamento. G. K. Chesterton dizia que

“o casamento é um duelo mortal que nenhum homem honrado deve rejeitar”,

todavia, o mundo moderno não sabe mais o que é lealdade e honra. Prefere escolher o divórcio antes mesmo de escolher o casamento.

Lutero também escreveu:

“Não há na terra nenhum laço tão doce nem separação tão amarga como os que ocorrem em um bom casamento”.

Mas, o grande problema é que esta geração tem dito que o casamento é cruel e amargo, enquanto o divórcio é doce e libertador. Homem e mulher abandonaram seus papeis e ambos sofrem a pena de suas deliberações. Diante disso, a restauração do lar é nossa missão. Preparar homens e mulheres para assumirem seus papeis na sociedade e no lar é um trabalho urgente que deve ser feito.

Se o homem cai no engano de amar as coisas temporais, logo, ele perde a percepção da importância de amar as coisas atemporais. Se o homem cai no engano de amar as coisas passageiras, logo, ele perde a percepção da importância de amar as coisas eternas. Amar aquilo que é temporal e passageiro não nos coloca num lugar de honra, antes, caso deixe de amar as coisas eternas, a miséria do homem será tão eterna quanto.

Precisamos ensinar quais as coisas que realmente vale a pena que sejam amadas, precisamos mostrar aos homens qual é a verdadeira fonte do amor e alertá-los de que tudo aquilo que o mundo chama de amor, as Escrituras chamam de imundícia. O perigo que nós enfrentamos é este: temos sido levados a crer que um casamento pode ser desfeito para sustentar o amor, mas que não pode ser mantido. Qual homem pode ser considerado um homem de verdade se não consegue honrar o juramento eterno que fez no altar? Por fim, qual mulher pode ser considerada uma mulher de verdade se ela tem coragem de abrir mão do casamento e depois pertencer a outro homem? Ora, o mundo perdeu o juízo, e se nos deixarmos levar por essas influências, correremos o grande perigo de chamar o mal de bem e o bem de mal. O divórcio é um câncer na sociedade e precisamos combatê-lo.


Frankle Brunno é missionário presbiteriano. É bacharel, e está cursando o mestrado em Teologia. Também é escritor e tradutor. É fundador do Projeto João Calvino Brasil e presidente da João Calvino Publicações. Líder do Coalizão Movement.

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