Depois de escrever a sua primeira epístola para Timóteo, Paulo partiu de Corinto, com Tito, e navegou para Creta, onde deixou Tito para tomar conta da Igreja (Tito 1:5). A seguir, Paulo retornou para a Grécia ou para a Ásia Menor, de onde escreveu a epístola para Tito. Depois, foi para Nilópolis com Trófimo, e Erasto, onde pretendia passar o inverno (Tito 3.12). O apóstolo deixou Erasto em Oriento, e Trófimo doente em Mileto, e, ao voltar para Trôade, de maneira repentina, acabou sendo preso na casa de Carpo. A prisão foi tão surpreendente que Paulo não teve tempo sequer de pegar seus objetos pessoais, incluído seus livros, pergaminhos e uma capa. Foi da prisão romana que Paulo escreveu sua segunda carta a Timóteo, para pedir àquele seu discípulo, que é carinhosamente chamado de filho amado, que trouxesse a ele esses objetos. No entanto, antes de pedir esse favor, ele encoraja o jovem Timóteo em seu ministério na cidade de Éfeso.
Pelo tom de sua carta, Paulo sabia muito bem que sua execução estava muito próxima, por isso ele tratou de asseverar algumas admoestações importantes ao ministério de Timóteo. Destas admoestações, quero aqui trazer duas delas à lume. A primeira é: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (2 Timóteo 2:15). Dentro desse texto, o primeiro conselho do Apóstolo a Timóteo foi que este devia apresentar-se a Deus aprovado.
O que isso significa e como esse conselho pode nos ajudar?
O objetivo do ministério não é agradar a homens, antes, a preocupação primordial do ministro deve ser a de se apresentar a Deus aprovado. É ter a mentalidade que o seu serviço deve estar alinhado unicamente à vontade de Deus, pois é Ele quem determina a sua aprovação. Atualmente, temos visto homens sacrificando as doutrinas bíblicas em favor da popularidade e status – estes podem até serem “aprovados” pelos homens, todavia, certamente são rejeitados por Deus. Costumo dizer que ser bem-sucedido diante dos homens desagradando a Deus, é viver um ministério em última análise: fracassado.
O que Paulo escreve a Timóteo é exatamente isso, que sua busca não deveria estar à mercê do populismo, ou envidada a opiniões alheias, mas sim na aprovação de Deus. O termômetro para um ministério eficaz nunca será definido segundo o aplauso dos homens. O resultado dessa busca, culmina exatamente no que Paulo orienta a seguir: “como obreiro que não tem de se envergonhar”. Aqui, o Apóstolo destaca um dos frutos do ministério aprovado por Deus: este é um ministério que não tem “rabo preso” com ninguém, um ministério que não tem sujeira acumulada debaixo do tapete, um ministério que reflete o caráter de Jesus.
O segundo ponto, não menos importante, fala da característica teológica do ministro:
“Que maneja bem a palavra da verdade.”
Além de ser aprovado por Deus, o ministro deve saber manejar a palavra com perspicácia, firmeza e preparo. A tradução grega para “manejar bem” ou “corretamente” (2.15) é o termo “orthotomounta”. Esta palavra é composta pelo adjetivo “orthos”, que significa “perfeitamente correto ou em linha reta”, e o verbo “tomo”, que significa “cortar”. Assim, “orthotomounta a palavra da verdade” significa “cortar perfeitamente ou em linha reta a palavra da verdade”. Deus requer diligência em “cortar” perfeitamente a Sua Palavra, e isso significa que não podemos ter “três ou até mesmo dois cortes da palavra da verdade e eles serem perfeitamente corretos, simultaneamente”. Apenas uma interpretação da Palavra de Deus é “perfeitamente correta”.
Talvez, Paulo estivesse pensando em seu trabalho como fabricante de tendas, o qual exigia grande habilidade para que cada golpe de faca na lona contribuísse para a força da tenda depois de pronta. Aquele que manejava bem o corte, fazia tendas mais resistentes. Para Paulo, é impossível ser um ministro de Deus, e ser desleixado em relação à sua Palavra.
Ao falar sobre a Palavra da Verdade, Paulo não só qualifica a palavra que se deve pregar, como nos alerta quanto ao fato de que, se existe uma palavra da verdade, existem outras que não são verdadeiras. A Verdade, por definição, é única. A mentira pode ser variada e ilimitada, mas, verdade só existe uma e, em toda a Escritura, ela é o que Deus diz e ponto final.

Alisson Bruno é um pensador cristão, escritor e blogueiro. É presbítero na Igreja Assembleia de Deus – Nova Serrana/MG. Formando em Capelania cristã pela UCEBRAS, Bacharel em Teologia pelo Instituto Metodista Izabela Hendrix e médio pelo Seminário Batista Livre. Atua e também é idealizador de vários projetos teológicos nas mídias sociais. Casado com Juliana Avelino e pai de Benício Lucas.
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