Glorificando a Deus na universidade

Na atual configuração da sociedade, o ambiente acadêmico é um dos ambientes mais hostis à fé cristã. É provável que você conheça jovens cristãos que foram induzidos a questionar sua fé após ingressarem na universidade. Infelizmente, muitos deles acabam por sucumbir diante das fortes pressões por conformação ao secularismo, o que acaba os forçando a assumir como sendo verdade uma visão de mundo que nega a existência de Deus e que negligencia Sua soberania, que rege o universo desde a Criação. Aliás, essa pode ser a situação de seus colegas de graduação e amigos próximos ou, pior do que isso, a sua própria história.

De imediato, as vivências no espaço acadêmico trazem hesitação, expondo os valores cristãos a novas questões em um ritmo frenético, muitas vezes levando os jovens a repensarem no que creem e o que viveram até então. O senso de identidade, de propósito e de vida cristã é desafiado, sofrendo um pesado bombardeio ideológico capaz de abalar toda fé que não estiver alicerçada sobre a Rocha Eterna, Jesus Cristo. Diante de tão severo ataque aos princípios divinos, surge uma questão: é possível, então, ao jovem cristão, permanecer apegado, convicto e fiel às Escrituras em um ambiente tão avesso à fé cristã?

Para responder à esta questão, é preciso entendermos o que causa essa confusão na mente do homem, fazendo-o ter esta tendência de colocar em dúvida as verdades eternas e considerar formas alternativas de ver o mundo, sendo influenciado a conformar-se e resistir à autoridade divina.

Cada parte da natureza humana foi distorcida pela Queda, incluindo a mente. O conhecimento humano sobre Deus foi afetado levando o homem a rejeitá-lo.

Na universidade temos contato direto com os efeitos disso, eles são refletidos na visão, no pensamento e na vida daqueles que rejeitam a autoridade de Cristo. O relativismo, que é o cerne do pensamento pós-moderno, é um exemplo disso. A verdade foi reduzida a uma “construção social”. Nesta, cada pessoa deve definir a verdade segundo suas vivências e aquilo que lhe é conveniente – o indivíduo, assim, se torna o padrão e a medida de todas as coisas, perdendo por completo o contato com a realidade. Mas nós, cristãos, sabemos que não é assim que acontece: há uma Verdade absoluta e imutável, de modo que devemos vivê-la e fazê-la conhecida.

Como uma cristã e universitária que passa por estes mesmos desafios, permita-me dividir com você algumas ferramentas que encontrei através da observação, da experiência e, sobretudo, da Palavra de Deus, que podem te ajudar a andar seguro por este caminho.

Para termos êxito nessa caminhada guardando a fé, é fundamental que tenhamos uma cosmovisão cristã. Precisamos desenvolver uma mente capaz de compreender de maneira clara e profunda o que a Bíblia ensina, colocando diante dela toda base teórica, isto é, todas as visões de mundo que nos são apresentadas, tais como o deísmo, o existencialismo, o niilismo, entre tantas outras que tem dominado o pensamento contemporâneo. Também é nosso dever conhecer minimamente cada uma dessas cosmovisões e lidar com o pluralismo presente no ambiente acadêmico. Se não interpretarmos tudo a partir da perspectiva bíblica, estaremos aderindo a uma visão secular que nega a existência de Deus e rejeita os princípios por Ele estabelecidos. Lembre-se que não há neutralidade, todo conhecimento é produzido a partir de uma cosmovisão, e eis, neste fato, a necessidade de termos um senso crítico que nos auxiliará a rejeitarmos o que contraria os princípios cristãos: devemos levar cativo todo conhecimento à obediência de Cristo (2 Coríntios 10:5).

Não negligencie a sua vida com Deus, dê prioridade ao momento devocional, à oração e à leitura da Palavra. Conheça as doutrinas básicas da fé cristã e seus fundamentos teológicos para assim estar preparado para responder a qualquer pessoa que perguntar qual é a razão da sua esperança (1 Pedro 3:15). É a partir do conhecimento e do relacionamento íntimo com o Criador que seremos capazes de identificar e resistir a tudo o que não o reconhece como Senhor.

No capítulo 12 da carta de Paulo aos Romanos, o apóstolo Paulo nos exorta a não vivermos conforme os padrões e valores deste mundo, pois ele é mau e ainda ameaça àqueles que pertencem a Cristo. Nossa mente deve ser constantemente renovada para que estejamos aptos a discernir e experimentar a vontade de Deus – aquilo que é bom e agradável a Ele. Uma vez que nossa mente foi renovada, devemos rejeitar totalmente qualquer movimento anticristão que muitas vezes é introduzido de forma sutil no discurso e na prática daqueles que, na tentativa de abraçar os dois mundos, crendo ser possível relacionar o cristianismo às teorias antibíblicas e separar o secular do sagrado, acabam criando uma fé híbrida, ineficaz e ofensiva ao verdadeiro Evangelho. É preciso reconhecer que, na maioria das vezes, esse diálogo não será possível. Você deverá agarrar-se, então, à única verdade: a que está revelada nas Escrituras. Para isso, é necessário lembrarmos do conselho que encontramos em Colossenses 2:8:

“Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam em tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo”.

Ou o cristianismo é inteiro, ou não é cristianismo. E para não seguirmos um cristianismo falso, devemos compreender que o cristianismo não é apenas mais uma cosmovisão entre tantas outras. Nós cremos na Verdade que é absoluta e definitiva, portanto, não devemos ter medo de afirmá-la como tal, mesmo que isso soe imodesto num ambiente pluralista e relativista como a universidade.

Mesmo sendo um lugar desafiador, a universidade também é onde temos a oportunidade de glorificar a Deus intelectualmente, conhecendo de forma mais profunda a Criação e toda a sua dinâmica. Devemos, ainda, considerar a importância de formarmos cristãos que ajudarão a criar um lugar para as idéias cristãs na academia e que exercerão influência além do âmbito religioso. Temos todos os motivos para buscar o conhecimento, pois entendemos que Deus é Senhor sobre todas as coisas, inclusive sobre as áreas do saber. Ele é a fonte de toda sabedoria, sim, em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (Colossenses 2:3).

É Cristo quem nos liga novamente ao Pai depois da ruptura causada pelo pecado, é somente por meio dEle que temos a nossa mente renovada e nos submetemos à autoridade inquestionável das Escrituras, fazendo uso da nossa mente e do conhecimento para a glória de Deus. O salmista dá uma resposta breve e completa a essa questão:

“De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo a tua palavra” (Salmos 119.9).

Se na universidade você tem encontrado objeções que estão causando dúvidas e têm prejudicado a sua vida espiritual, apresente todas elas a Deus em oração e peça que Ele ajude a resolvê-las. Creia que Ele o ajudará!

Diante das perplexidades do ambiente acadêmico, cabe ao cristão achegar-se mais a Deus, a Rocha da nossa salvação, para que receba dEle força espiritual e sabedoria – itens essenciais para defesa da fé cristã. Cabe ainda lembrar que, independentemente do lugar em que estivermos – seja na igreja, na universidade, no local de trabalho –, não podemos esquecer de quem somos, quem é o nosso Deus e que somente a Ele pertence todo louvor, gratidão e fidelidade. Vivamos, pois, em tudo, para que a nossa vida o glorifique cada dia mais!


Mariane Brum Gomes é membro da Igreja Evangélica Assembléia de Deus, em Lajeado/RS, e graduanda em Psicologia, pela Univates, da mesma cidade.

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