O povo de Deus é reverente diante da Palavra

E Esdras abriu o livro perante à vista de todo o povo; porque estava acima de todo o povo; e, abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé.” (Neemias 8:5)

Diante deste momento culturalmente anti-intelectual que estamos vivendo, é importante ressaltar que o genuíno povo de Deus permanece com a atitude correta diante da Palavra de Deus. E esta atitude é de reverência. Do homem ímpio ouvimos que a Bíblia é “apenas um livro”. Do teólogo liberal, ouvimos que “a Bíblia não é, mas apenas contém a Palavra de Deus”, e isso seria evidenciado na medida em que o indivíduo que a lê colhe experiências com o texto nela contido. Assim, o texto não é Palavra de Deus, mas é a Palavra de Deus aquilo que, supostamente, Deus fala com o indivíduo por meio do texto. Para pessoas que olham para a Bíblia desta perspectiva, o significado não emerge do texto em direção ao indivíduo, mas é imposto pelo indivíduo sobre o texto, que dá todo crédito ao Espírito Santo por tal operação. O povo que pertence a Deus, no entanto, sabe que a realidade é totalmente diferente.

Quando lemos o livro de Neemias, vemos que, no abrir do livro da lei, por Esdras, que estava em um tipo de púlpito, o povo de Deus que estava à sua frente, se pôs de pé. Como homens e mulheres que pertencem a Deus, devemos reverenciar a Palavra de Deus no culto, e na vida. Não permanecemos escondidos. Não damos de ombros. Mas, estamos de pé diante da Palavra. Reverentes. Estar de pé diante da Escritura é prestar-lhe toda a reverência e reconhecer sua autoridade divina, quer gostemos do que ela está dizendo, quer não, quer ela nos abençoe, quer ela nos repreenda.

A indagação que surge é: nossa atitude para com a Bíblia no culto, na igreja, não é a evidência de que ela não tem ocupado o devido lugar em nossas vidas, em nossas rotinas diárias? Nossa atitude para com o texto bíblico em nossas reuniões de adoração demonstra nossa relação com a Palavra na vida particular. E isso é preocupante, pois a Palavra de Deus não vem tendo proeminência em nossas reuniões de adoração.

A Bíblia não é um mero livro entre muitos outros, nem é algo restringido e próprio da experiência pessoal, algo subjetivo, não normativo, antes, é a Verdade, absoluta, universal e objetiva, que reina sobre os homens, quer eles creiam no que nela está escrito, quer não, quer tenham experiências com ela e por meio dela, quer não. Os autores bíblicos nos ensinam na Escritura que ela própria não se torna a Verdade à medida que uma pessoa colhe experiências pessoais em sua vida geradas por sua fé no que as Escrituras dizem, mas que a Escritura é a Verdade inspirada de Deus e é a Palavra de Deus, não se torna.

“Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” (2 Pedro 1:20-21)

Diante desta verdade, não permanecemos inertes e irreverentes diante da Palavra. Na vida e no culto, não andamos segundo o conselho dos ímpios, nem nos assentamos na roda dos escarnecedores, nem nos detemos no caminho dos pecadores, antes temos o nosso prazer na lei do Senhor, e nela meditamos de dia e de noite (Salmo 1:1-2).


Marcos Motta, 28 anos, é editor-chefe de Revista Fé Cristã. Membro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Lajeado – RS, é estudante autodidata de teologia, e autor do livro Não Estamos Derrotados: A Verdadeira Vitória (2017). Na igreja local, coopera como pregador, e também como músico, cantor e compositor. Casado com Talita Motta.

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