O povo de Deus ama a Palavra de Deus

Em chegando o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da Porta das Águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o Livro da Lei de Moisés, que o SENHOR tinha prescrito a Israel. (Neemias 8:1)

No livro de Neemias, capítulo 8, aprendemos muitas coisas sobre o relacionamento entre o povo de Deus e a Palavra de Deus. A primeira delas, a grande lição inicial, contida logo no versículo 1, é que o genuíno povo de Deus nutre, por natureza, um desejo, um anseio pela Palavra de Deus, por ouvir mais dela e sobre ela, por estudá-la, por manter contato com ela. Há uma ligação espiritual entre a Escritura e o homem salvo – o homem escolhido por Deus.

O relato bíblico é que, em certo momento dentro do contexto da narrativa do livro de Neemias, o povo de Deus se reuniu em um local específico e, chamando o escriba Esdras, disseram-no que trouxesse o Livro da Lei de Moisés, que o Senhor tinha prescrito a Israel, para que este fosse lido perante eles.

Não precisamos nos demorar com termos difíceis e expressões complexas. A realidade aqui é que o povo é voluntário, age por sua própria vontade. Não há uma imposição do líder político ou religioso sobre o povo, para que este se aproximasse da Escritura – antes, o que vemos é uma ação livre, da parte do povo. O desejo de ver a união “povo de Deus e Palavra de Deus” ascende do povo para a liderança. “Traga-nos a Escritura, Esdras”, parece que podemos ouvir. “Dê-nos mais das palavras de Deus, Esdras”, uma voz ecoa. O povo de Deus deseja a Palavra de Deus.

Não há desculpas convincentes, não encontramos explicações boas o suficiente para justificar a atitude dos chamados cristãos para com a Bíblia, hoje. Somente podemos apontar que o que vemos no mundo evangélico atual não condiz com a realidade bíblica do povo escolhido e salvo por Deus. Muito do que vemos na mídia gospel – os ensinos equivocados, as heresias, a ditadura eclesiástica, o charlatonismo, são [nada mais, nada menos que] frutos da atitude do próprio povo para com a Palavra de Deus. “Esdras, nós não queremos outra coisa, não desejamos outra coisa, não anelamos por nada mais do que a revelação de Deus na Escritura”, podemos ler nas entrelinhas do trecho se deixarmos a imaginação nos levar. Enquanto isso, no século XXI, o povo que “se chama pelo nome de Deus” prefere o discurso motivacional, as pregações triunfalistas, o mero curandeirismo. Isso é triste.

“Oh! Quanto amo a Tua lei! Ela é minha meditação o dia todo. […] Oh! Quão doces são as Tuas palavras ao meu paladar! Mais doces do que o mel à minha boca. […] Pelo que amo os teus mandamentos mais do que o ouro, sim, mais do que o ouro fino.” (Salmos 119.97,103,127)

Em consonância com a atitude do povo de Deus em Neemias 8, o salmista nos alinha à característica principal do povo de Deus. Ou amamos a Palavra de Deus ou não somos Seu povo. Um cristão genuíno tem a Escritura como sua “meditação o dia todo”. Ele se alimenta da Palavra – e este alimento é doce, sob todos os aspectos. O romanista chama o protestante de idólatra da Bíblia, idólatra de “um mero livro”, todavia, a interrogação que se ergue das páginas da Bíblia é: como poderíamos olhar para a Escritura e a amarmos com menos intensidade e profundidade do que naquela proporção em que somos orientados pelo salmista? Ele amava os mandamentos de Deus mais do que o ouro. Certamente, você trabalha. Sim, certamente, você dá duro a fim de receber seu salário ao final do mês. O ensinamento do salmista é que você possa desejar e amar a Escritura tanto quanto deseja e ama [e trabalha por] seu salário, pelo seu “ouro”. “Amo os teus mandamentos… mais do que o ouro”.


Marcos Motta, 28 anos, é editor-chefe de Revista Fé Cristã. Membro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Lajeado – RS, é estudante autodidata de teologia, e autor do livro Não Estamos Derrotados: A Verdadeira Vitória (2017). Na igreja local, coopera como pregador, e também como músico, cantor e compositor. Casado com Talita Motta.

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